TIME DE FUTEBOL - O Feminino extrapolou e virou Mixto


O time mais querido e esculhambado de Cuiabá é idéia de mulher.

O que chamamos hoje em dia de Mixto Esporte Clube foi outrora o Clube Esportivo Feminino, dedicado a discussões e saraus sobre a literatura mato-grossense, brasileira e européia.

Então líder do clube, Zulmira Canavarros, decidiu em 1934 extrapolar o limite explícito ao nome da agremiação. Em 20 de maio do mesmo ano, o grupo restrito ampliou-se assumindo uma face “meio homem, meio mulher”. Zulmira foi a primeira e única presidenta em toda a história da equipe.

O coração mixtense nasceu na rua 7 de setembro, quase em frente da igreja Senhor dos Passos, no centro da capital. Especificamente, na saudosa Livraria Pepe – um casarão construído em estilo colonial e tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O preto e branco da bandeira, do uniforme e dos inúmeros adereços foram determinados pela diretoria inicial. O hino tem letra e melodia do acadêmico Ulisses Cuiabano e é apresentada pela primeira vez por Zulmira, ao piano.

O nome “Mixto” tem a ver com mistura. O “x” no lugar do “s” fica como capricho gramatical, pois na década de 30 o idioma português ainda era muito influenciado pelo latim.

Sob novo pensamento, o Mixto amplia seu universo de atividades, incluindo o esporte e mantendo a cultura. O vôlei e o basquete são as modalidades mais disputadas. E os dias de carnaval, o período de maior intensidade de “recreação dançante” (termo utilizado na época).

Futebol mesmo, só em 1940. Na primeira partida, derrota inesquecível de 3 a 1 para um grupo de tipógrafos, formado em cima da hora. Local do vexame: o campo do colégio estadual Liceu Cuiabano, situado na avenida Getúlio Vargas.

Na era do futebol amador, o Mixto é o maior. Venceu os certames cuiabanos de 1947, 1948, 1949, 1951, 1952, 1953, 1954, 1959, 1961 e 1962 e 65. São tempos em que antes do prélio (ou seja, do jogo), a fila de atletas era puxada pela rainha do clube - com a bandeira em punho - e o mascote.

Tempos em que os astros da bola já ouriçam os guardiões da linguagem culta com seus apelidos. Pinto, Mingote, Chupapaia, Gerbes e outros mais. Tem também o Leônidas, inesquecível pela agilidade, pela habilidade. O nosso similar do verdadeiro Leônidas – aquele que inventou a bicicleta –, que teve passagens históricas pelo São Paulo, Flamengo e seleção brasileira.

Os adversários atendiam pelos nomes de Riachuelo, São Cristóvão, Boa Vista, Operário de Várzea Grande, Dom Bosco, Americano, Paulistano e Palmeiras. O futebol do Estado resumia-se a Cuiabá e Várzea Grande.

Vez por outra o Mixto viajava para Mato Grosso do Sul em busca de rivalidade. A travessia era feita, invariavelmente, de barcaça pelo rio Cuiabá.

E se completa de jardineira (um tipo antigo de ônibus) até Campo Grande. Este texto é baseado em consulta ao livro “Egéria Cuiabana”, de Benedito Pedro Dorilêo, edição de 1976.




COMIDA - A saborosa mistura de peixe e mandioca
BEBIDA - Dá energia, tira fome e prolonga vida
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RUA - Marcos da história e do dia-a-dia
PERSONALIDADE - Do sacerdócio para o colunismo social
ESTILO DE MÚSICA - Rasqueado selou paz entre países
BAIRRO - Moradores do Porto cultivam nostalgia
Lei que criou bairro desobedeceu a tradição
FESTA - São Benedito é a festa preferida
Preparativos incluem eventos que resgatam atos tradicionais
SANTO DE DEVOÇÃO - São Benedito, o protetor da cidade
Devoção ao santo atravessa gerações inteiras
LUGAR - Mercado renasce como cartão postal
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