LUGAR - Mercado renasce como cartão postal


Símbolo de si mesmo aos 101 anos, maquiagem retocada para agüentar outros tantos que virão e cheio de projetos para abrigar no futuro o passado de um povo, o Museu do Rio, antigo Mercado do Peixe, renasce dentro do projeto de revitalização do Porto.

Não mais como ponto de irradiação de negócios, comércio e encontros. Mas com a proposta de ser a referência de um período histórico de Cuiabá para as novas gerações e migrantes.

Escolhido por cuiabanos em pesquisa da UP - Unidade de Pesquisa como o lugar que é a cara da cidade, o Museu do Rio esperou quase uma década para que suas obras de restauração e ampliação saíssem do papel.

Antes disso protagonizou a briga de quatro anos entre ribeirinhos, feirantes, comerciantes e a prefeitura. Os que dependiam do lugar se recusavam a deixá-lo, mas contra eles existiam fortes argumentos: o espaço foi considerado inadequado para o comércio em função da circulação deficiente, proliferação da prostituição, tráfico de drogas e falta de infra-estrutura sanitária.

Vitória da prefeitura. Em 1994 começa a transferência dos 483 comerciantes para o Mercado Varejista do Porto, o “Campo do Bode”, na avenida 8 de abril. A partir daí, as obras de revitalização passam a ser implementadas com orçamento no valor de US$ 1,3 milhão.

Nesse processo polêmico e tumultuado, o Museu do Rio só veio a ser inaugurado em agosto de 99, com o nome de Complexo Sérgio Motta, o ministro das Comunicações do Governo Fernando Henrique, morto em 1998. Motivo: Motta teria viabilizado economicamente o projeto, pago com recursos capitados pelas leis estadual e federal de incentivo à cultura.

Construído em 1899, o prédio obedece traços arquitetônicos do estilo neoclássico europeu, escolha interessante quando comparada a tecnologia usada para constituição de suas paredes: cal e estrume de boi.

“Naquele período não havia cimento e para construir paredes a população usava basicamente a massa de adobe, a mistura de cal e estrume de boi e ainda a taipa socada”, explicou a chefe da divisão de Patrimônio da secretaria Estadual de Cultura, Bernadete Durães Araújo.

O prédio foi tombado como patrimônio Histórico e Artístico do Estado em 1983 e para preservar sua história, o projeto de restauração teve que se adaptar. “Nada pode ser feito para mudar, foi permitido apenas a restauração. O aquário foi a única estrutura acrescentada. E por isso construída nos fundos do Museu, de forma a não interferir na obra original”, informou Bernadete. O arquiteto da diretoria de projetos Especiais da prefeitura de Cuiabá, Ademar Poppi, responsável pelo desenho do aquário, explicou que ele foi idealizado para ressaltar o antigo em oposição ao moderno. Além de contribuir com a concepção de resgate histórico, expondo as espécies típicas de bacia do rio Cuiabá. Um mirante voltado para o rio ainda faz parte de sua estrutura.




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