Devoção ao santo atravessa gerações inteiras

O casal Benedito Libanio, 86, e Astrogilda de Amorim Sousa, dona “Nenê”, 85, poderia ser o exemplo de devoção e fé a São Benedito. Há 50 anos, todas as terças-feiras os dois acordam às 4h30 para ir a missa “chova pedra ou canivete”, como brinca “seu” Benedito.

A devoção de Benedito aumentou depois do casamento com dona “Nenê”, mas sua ligação com o santo vem desde sua geração. Quase no final da gravidez, a mãe dele pediu proteção ao santo para ser feliz no parto e prometeu retribuir a graça batizando o filho com o nome dele.

Cuiabanos de “chapa e cruz”, “seu” Benedito e dona “Nenê” contam que se por algum problema de saúde não vão à missa é como se faltasse algo neles. Depois das celebrações, os dois ainda ajudam no recolhimento dos folhetos dos cânticos para a missa noturna.

O filho do casal, Lucilo Libanio de Sousa, ou “Nonô”, que hoje coordena as atividades da igreja, aos 14 anos era coroinha nas missas de São Benedito.

Além das missas das terças, o casal tem o hábito de freqüentar a igreja aos domingos à noite. Dona “Nenê” e “seu” Benedito são pobres, mas se consideram felizes por gozar de saúde. “Na nossa idade, ter saúde, lucidez, união e paz é uma grande felicidade”, analisa dona “Nenê”. “É por tudo isso que estamos aqui, louvando e agradecendo à São Benedito”, completa “seu” Benedito.

“Siá Dita”, como dona Benedita Dias, 68, é conhecida, caminha entre cinco e seis quilômetros para ir à missa das terças-feiras (ela mora no bairro Areão). Ainda é noite quando ela sai de casa, na maioria das vezes sozinha.

“Só não venho quando está chovendo muito”, contou, lembrando que desde os quatro anos faz essa peregrinação. A devoção de “Siá Dita” não tem nenhuma razão especial, ela somente seguiu os ensinamentos da avó Maria Estevina, também devota do santo negro. Até os 28 anos, era a companheira da avô no trajeto até a igreja. (AA)




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