Lei que criou bairro desobedeceu a tradição

Uma polêmica vive guardada nos arquivos da prefeitura de Cuiabá. Basta uma olhada na lei que, em 1973, delimitou oficialmente o mais antigo bairro da cidade para ter a certeza: muita gente que acredita morar ou trabalhar no Porto, legalmente, está enganada.

Basta perguntar para qualquer morador mais antigo onde começa o Porto e a resposta vem fácil: da avenida Dom Bosco (mais precisamente de onde fica hoje o Detran) até às margens do rio Cuiabá, tudo é Porto.

Mas não é o que diz a lei de abairramento. Segundo ela, o perímetro do bairro vai da margem esquerda do Rio Cuiabá com a avenida Miguel Sutil, segue daí até onde esta se encontra com a rua Ipiranga. Da Ipiranga, a linha divisória segue então até o encontro com a rua Senador Metello e desta desce até o córrego da Prainha (ao lado onde hoje está o Shopping Popular), terminando no encontro do córrego com o rio.

Por estes limites, ficam de fora do bairro o Estádio Dutrinha, o Arsenal de Guerra e até a igreja do Porto. “Na época, a lei foi feita sem nenhuma consulta à população, o que acabou por reduzir o perímetro do bairro quando o sentimento, a história e a cultura local indicam uma área bem maior”, avalia Jandira Maria Petrollo, diretora de Pesquisa e Informação do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Urbano (IPDU) do município.

O Porto ocupa uma área de 248 hectares onde moram cerca de 9 mil pessoas, conforme dados do IPDU, que utilizou como base a Contagem Populacional realizada pelo IBGE em 1996. Legalmente, fazem parte do Porto os loteamentos Capão do Gama, Cirandinha, Glorinha, Granja Santa Rita, Jardim das Vivendas, Ubatã, Vila Alice e Zé Pinto.

VIOLÊNCIA - Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que a média de ocorrências no Porto é de 6,87 para cada 100 habitantes. O índice é pouco mais que o dobro da média da cidade (de 3,29), mas bem inferior a bairros como Santa Rosa (9,37 ocorrências para cada 100 habitantes) e Jardim Cuiabá (8,96). (ACb)




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