ESTILO DE MÚSICA - Rasqueado selou paz entre países


Quem escuta e dança o rasqueado não imagina que tudo começou na Guerra do Paraguai. Com o fim do conflito, aconteceu a integração com a comunidade ribeirinha e junto a fusão da polca paraguaia e o siriri mato-grossense. A partir daí surgiu o pré-rasqueado, que limitava-se aos acordes de siriri e cururu tocados na viola de cocho, mocho e ganzá.

Mais tarde o ritmo juntou-se as festas juninas, religiosas, e até o carnaval. E os estilos de dançar eram o liso, o crespo e o rebuça e tchuça. Na baixada cuiabana, mesclou-se com o chamamé pantaneiro.

Os grupos mais famosos da década de 30 eram formados pelo Conjunto Serenata, Banda do Mestre Inácio, Nardin do Arcodeon, Benjamin Ribeiro, Cinco Morenos, e até a própria Dunga Rodrigues conseguiu infiltrar o rasqueado nas noites de saraus cuiabanos, com o endosso das famílias mais abastadas que enviavam seus filhos para concluir estudos na Argentina e Paraguai, as quais voltavam trazendo partituras de polca, tão similar ao ritmo cuiabano.

O rasqueado unia a elite ao ribeirinho. A elite escutava o ritmo através de violinos, sopros, e pianos. O ribeirinho realizava a mesma coisa com a viola de cocho, o mocho e o ganzá.

Desse período pouco divulgado do rasqueado até os dias atuais o ritmo foi se atualizando, e se juntando aos equipamentos de ponta e caindo cada vez no gosto do público que consume os CDs de Roberto Lucialdo, Henrique & Claudinho, Pescuma, João Eloy, Bolinha, Marcos Carai, Gilmar Fonseca, Vera e Zuleica, Moisés Martins e Guapo, que além de cantar o rasqueado tem se dedicado à pesquisa sobre a origem do ritmo há bastante tempo.

É este grupo de artistas que vem nos últimos anos imprimindo o ritmo e composições para um público cada vez mais animado.

Entre esses cantores, Pescuma e Henrique e Claudinho já até lançaram os últimos trabalhos por uma gravadora de âmbito nacional. Pescuma vive em Cuiabá há 17 anos e tem mais de 200 composições abordando os mais variados temas. É um dos maiores divulgadores do rasqueado mato-grossense. Já lançou três CDs: “Sentimento Cuiabano I e II” em parceria como poeta Moisés Martins - com quem tem mais de 50 composições elaboradas - e “Água Viva”, que vem sendo divulgado em todo o Brasil. Os principais sucessos: “Piché”, “Cabeça de Boi”, “Tipos Populares”, “Furrundú”, “Vai Porque Quer”, “Rala e Grosa”.

Atualmente quem está assessorando Pescuma e a dupla Henrique e Claudinho é a empresa Brasil Busines, a mesma que cuida de Zezé Di Camargo e Luciano, Gian e Giovani e Exalta Samba.

Henrique e Claudinho, também de olho no mercado nacional, participam da música regional desde 1989. Não são irmãos e muito menos cuiabanos, porém se tornaram representantes típicos da cuiabália. Henrique nasceu em Itiquira, cidade próxima a Rondonópolis. Já Claudinho vem de São Paulo. Tudo começou quando foram convidados para alegrar as noites da boate Papillon. Começava aí uma parceria musical que conta atualmente com sete CDs. Todos gravados em São Paulo.

Aqui em Mato Grosso, eles foram as primeiras duplas a se destacar no vinil e sempre com o rasqueado. A dupla gravou “Cuiabá Cuiabá”, “Moreninha Cuiabana”, “Se Você Vier para Mato Grosso”, “Rebuça e Tchuça”, “Rasqueado Pau do Rodado”, “A Força do Rasqueado”. Estes são alguns dos CDs mais conhecidos da dupla.

Entre os compositores do gênero, os mais festejados são: Tião de Oliveira, Hamilton Lobo, Pescuma, Moisés Martins, Roberto Lucialdo, Neno de Paula, Nininho Xapicruz, Vera e Zuleica, João Eloy, Dilson Oliveira, Pineto, entre outros.

Entre as músicas mais conhecidas e solicitadas nas apresentações, “A Lua”, de domínio popular, já foi gravado por quase todos que defendem o ritmo regional. “Casa de Bem Bem”, de Roberto Lucialdo, ou “Engenho Novo”, de João Eloy, e “Cabeça de Boi”, de Pescuma e Bolinha, são músicas símbolos do ritmo mato-grossense.

João Eloy é outro que tem divulgado o rasqueado com toda a sua intensidade. Ele já gravou “Leverger”, “A Lua”, e ainda “Rasqueado em Cuiabá” do compositor Moisés Martins, “Moça Bonita” de Roberto Lucialdo e Dilson Oliveira, ou “Cuiabá dos Meus Amores” do compositor de Zelito Bicudo.

Os cantores que promovem o rasqueado formam um grupo bastante coeso, todos gravam composições um dos outros e geralmente dividem o mesmo palco em apresentações que atraem um público de peso.

Neste aniversário de Cuiabá, nomes como Henrique e Claudinho, Roberto Lucialdo, Gilmar Fonseca, João Eloy, e Pescuma vão estar se apresentando no show Mato Grosso em Canto que acontece a partir das 21h no Espaço Cultural Liu Arruda.






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