Depleção do nível começou ainda na década de setenta

O rio Cuiabá está em depleção sistemática desde 1975, ou seja, a cada ano a seca se agrava um pouco mais. Além da influência de fenômenos climáticos como El Niño e La Niña, também contribuem para tal condição as ações do homem, como o desmatamento de margens, a degradação de afluentes e, claro, a barragem de Manso.

“Até 1975, o rio nunca havia chegado a menos de 1,01 metro no período da seca. No últimos anos, ele já chegou à cota negativa. Desta vez, o problema se agravou pelo efeito somático da barragem de Manso”, conta o coordenador da Defesa Civil, Domingos Iglesias Valério.

Em 1966, Iglesias participou dos estudos para a implantação da barragem da Guia, que teria 27 metros de altura e capacidade de gerar 68 megawatts de potência firme. Era o primeiro projeto de contenção de cheias no rio Cuiabá, a partir do Rio Manso. “Ao final de um estudo cuidadoso, julgamos o projeto inadequado, inviável técnica e economicamente. Foi arquivado imediatamente”, relata.

Segundo ele, nos afluentes do lado esquerdo da bacia do Cuiabá, a mais prejudicial de todas as agressões é a usina de Manso. Mesma opinião tem o biólogo Francisco de Arruda Machado, do Departamento de Botânica e Ecologia da UFMT. Segundo ele, o Aproveitamento Múltiplo já deveria ter sido posto em prática, amenizando os efeitos da seca atual.

“Se a energia não é o principal objetivo da Usina, este é um bom momento para colocar o aproveitamento em prática”, defende Machado. “É preciso que eles mantenham a vazão de 135 metros cúbicos, defendida pela Defesa Civil como o mínimo recomendável”. (RV)




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