Projeto revitaliza córregos do Cuiabá

A Estação de Tratamento de Esgoto do Tijucal foi construída pelo 9º Batalhão e Engenharia e Construção (BEC) a partir de recursos de uma ação do Ministério Público Federal (MPF) contra o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A ação, impetrada em 1989, pedia a utilização de recursos captados pelo órgão com multas num Projeto de Recuperação da Bacia do Rio Cuiabá.

O procurador Roberto Cavalcanti, autor da ação, cita exemplos de rios europeus, e do Capibaribe, em Recife, para apontar que o Cuiabá poderá se transformar num grande canal de esgoto, se providências não forem tomadas. “O branco herdou dos europeus o terrível hábito de jogar esgoto no rio”, comenta. A partir desta constatação, e mediante diversas informações repassadas pelo coordenador da Defesa Civil, Domingos Iglesias – um dos maiores conhecedores do Cuiabá, Cavalcanti se sentiu estimulado a impetrar a ação.

A execução da sentença veio em 1994, a partir de uma decisão do juiz Jeferson Schineider. Dos cerca de R$ 14 milhões que o Ibama possui de recursos provenientes de multas, segundo Cavalcanti, foram liberados R$ 4 milhões. Além da Estação de Tratamento do Tijucal, a verba foi aplicada junto à comunidade Vaquejador, de Jangada. Formada por 250 famílias, a comunidade produz farinha de mandioca, e os resíduos da fabricação eram jogados num córrego que deságua no Cuiabá.

Com os recursos foram construídos tanques de decantação e banheiros. Algumas áreas da região foram ainda reflorestadas. Em Nova Brasilândia, junto a agricultores, a Empresa de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e a Fundação Estadual de Meio Ambiente (Fema) – responsáveis pela execução do projeto – desenvolveram trabalhos de recuperação de voçorocas e atividades de educação ambiental junto a agricultores que utilizam agrotóxicos.

“Isso é pouco. Ainda tem muito a ser feito”, acredita Cavalcanti, que está à procura de patrocinadores para que as ações de recuperação possam continuar. “Furnas (responsável pela construção de Manso) deve assumir uma parte do projeto”, anuncia o procurador. Além disso, contatos também estão sendo feitos com a Petrobrás e com organismos internacionais para que as atividades tenham continuidade. “Temos que sensibilizar empresários para necessidade de cuidarmos melhor de nossos rios”, defende o procurador.

O projeto chegou a receber críticas, e ser fruto de uma ação de madeireiros do Norte de Mato Grosso, que reivindicavam a aplicação do dinheiro em reflorestamentos na região. “Esta é uma visão equivocada. Reflorestamento é micro ambiente. Bacia de água é macro ambiente. Quando falamos do rio Cuiabá, estamos falando de todo o Pantanal. Temos que cuidar dele enquanto é tempo”, defende o procurador.

Água, na opinião de Cavalcanti, será dentro de 15 anos um bem tão valioso quanto é hoje o petróleo. Por isso o projeto de recuperação do rio concentra-se não somente no Cuiabá, mas também com todos os canais em volta, que o ajudam na formação.(JPL)




O eterno protagonista da História
Degradação do meio ambiente muda manifestações culturais
Navegação fez crescer o comércio no século 19
Dezenove afluentes já estão mortos
Metade da mata ciliar foi extinta
Pesquisa revela que pescadores são mal-tratados
Seminário debate propostas para políticas pesqueiras
Prática é passada de pais para filhos há mais de 30 anos
Comunidades traduzem hábitos tradicionais
Gera fomenta discussões ambientais e culturais
Ribeirinhos não conhecem leis
Biólogo teme por reprodução de peixes
Esgoto sem tratamento ainda é o maior desafio no Cuiabá
Peixes do Manso representavam 30% da ictiofauna do Pantanal
Qualidade da água é contestável
37 dragas funcionam ‘mas não prejudicam’
Projeto revitaliza córregos do Cuiabá
Dragueiros também reclamam da Usina de Manso
Usina hidrelétrica ameaça futuro
Depleção do nível começou ainda na década de setenta
Ambientalistas consideraram audiência pública uma farsa