Esgoto sem tratamento ainda é o maior desafio no Cuiabá

O rio Cuiabá está no limite de sua capacidade. Fonte de água, canal de esgoto, matriz de peixes e agora, por meio de seu principal afluente, gerador de energia, o rio já mostra sinais de esgotamento. Falta de consciência, mas também de planejamento, diz a bióloga Maria Saleti Dias Ferreira, que há mais de 15 anos estuda os problemas decorrentes do gerência inadequada dos recursos do rio.

“A sociedade tem que se perguntar: o que se quer do rio Cuiabá?”, questiona a bióloga. “Já passamos da hora de definir as prioridades do rio: se é o fornecimento de água ou de peixes, se canal de esgoto ou de geração de energia. O que não pode é deixar a situação como está hoje, ou seja, tudo ao mesmo tempo”.

Dentre as atuais formas de uso do rio, Maria Saleti defende o fim do despejo de esgoto sem tratamento. “Isso é uma coisa básica. Tem que eliminar esta forma de uso do rio, pois, com certeza, a população vai optar pela água limpa, o turismo e o peixe”, defende.

Segundo ela, com o agravamento da seca e o aumento da população dos municípios no entorno, ampliou-se muito a concentração dos resíduos que chegam ao rio. “A concentração de pessoas é muito grande, bem como o volume de esgoto produzido, então a capacidade de depuração do rio já foi esgotada. E ele não suporta isso há um bocado de tempo”, diz a bióloga. “E temos que lembrar que ele é a única fonte de água potável para todas as cidades em seu entorno”.

É preciso formar uma cultura de preservação dos recursos naturais, propõe Maria Saleti, para mantê-los íntegros e úteis para as próximas gerações. “A gente ainda vive o reflexo daquele tempo em que se acredita serem eternos esses recursos. A água é renovável no volume, não na qualidade”, explica. “O contingente de pescadores, por exemplo, é muito grande. Praticamente 80% da pesca de Mato Grosso é feita na bacia do rio Cuiabá”.

Mesmo com tanto a enfrentar, a bióloga vai na contramão dos que prevêem a morte do rio. Segundo ela, tal discurso acaba desencorajando a sociedade na defesa do rio. “Eu não gosto dessa coisa de que o rio Cuiabá está acabando, que não tem mais jeito, pois as pessoas se conformam e não fazem nada para mudar. Temos, por exemplo, uma comunidade ribeirinha muito digna, cujas atividades são comprovadamente preservacionistas, e o rio ainda tem uma piscosidade boa, bem como a sua qualidade de água”, diz a bióloga. “Temos que ressaltar o que ainda há de bom no rio, para que valha a pena lutar pela sua recuperação“. (RV)




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