Prática é passada de pais para filhos há mais de 30 anos

Um dos capítulos da pesquisa da UFMT está voltado à pesca no contexto urbano. A atividade pesca, para os ribeirinhos tradicionais, não é uma atividade nova. “É uma prática repassada pelos ascendentes que garantiram a esses grupos saberes e conhecimentos”, aponta o relatório. Dos 121 entrevistados, 35% responderam que pescam há mais de 36 anos, 13% de 15 a 17 anos e 13% entre 18 e 20 anos.

“As experiências individuais destes pescadores estão articuladas à memória coletiva dos ribeirinhos tradicionais como um todo. Não podemos restringir a pesca a um trabalho somente profissional, como qualquer outro, mas uma experiência cultural”, defende a coordenadora de pesquisa do projeto, Verone Cristina da Silva. “Essa experiência cultural com pesca legitima a atividade dos pescadores muito mais que o seu registro oficial, a carteira profissional”, comenta Verone.

Outro dado observado pelos pesquisadores aponta que a pesca nas comunidades ribeirinhas inicialmente era praticada com ênfase para o consumo de pescadores e suas famílias. “Por volta da década de 60 o cotidiano da pesca sofreu uma redefinição do seu valor mercantil”. A comercialização do pescado foi intensificada através de incentivos fiscais e pela instalação de fábricas de gel em Cuiabá, e pela decadência das usinas de açúcar de Mato Grosso.

Dos entrevistados, 62% afirmaram que receberam a terra onde vivem de herança. Deste total, 66% têm a propriedade da terra. Para os 34% restantes a terra está em nome de outra pessoa, na maioria das vezes pai, mãe e avô. As casas onde os ribeirinhos moram hoje são em grande maioria de alvenaria. Elas eram de adobe ou palha, mas foram modificadas em função das duas grandes enchentes ocorridas, em 1942 e 1974.

O acesso dos pescadores ao rio também foi pesquisado: na grande maioria das comunidades visitadas não há impedimento de chegada ao Cuiabá. A exceção desta constatação acontece no Engordador, onde cerca de 40% se dizem impedidos de chegar ao rio pela existência de chácaras, e no Sucuri, onde as casas dos pescadores estão distantes do rio cerca de um ou dois quilômetros.

“Alguns pescadores procuram até alternativas, como cortar arames de cerca para facilitar o acesso. A inexistência de um porto livre para chegarem às reservas é um dos principais problemas enfrentados pelos pescadores do Sucuri”, diz o relatório. (JPL)




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