Núcleo quer intensificar discussões no interior

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) criou, em abril do ano passado, o Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Planejamento Energético (Niep), com objetivo de concentrar pesquisas sobre o setor no Estado. Hoje, com a participação de 10 membros, o Núcleo tem planejados cinco cursos de extensão, e para o ano que vem deve ser formada uma turma de especialização. Uma das metas do Niep é interiorizar as discussões, para que cada região possa descobrir seu próprio potencial.

O professor da UFMT, Otacílio Canavarros, um dos idealizadores do Núcleo, lembra que a formação do Niep é fruto de um estudo desenvolvido em 1996, e concluído em 1997, chamado “A questão energética em Mato Grosso: elementos essenciais ao planejamento”. A pesquisa, realizada por Canavarros com apoio da Universidade de Campinas (Unicamp) e das federações da Indústria (Fiemt), da Agricultura (Famato) e do Comércio (Fecomércio), levantou o potencial energético de Mato Grosso entre os anos de 1980 e 1995.

Além do conselho científico e das federações, tem participação no Niep o Sindicato do Álcool. Hoje, as nove usinas de álcool de Mato Grosso consomem energia de sua própria geração, a partir do bagaço de cana. A Barralcool produz 10 megawatts, consome cinco, e vende os cinco restantes para a Cemat. As outras têm capacidade para fazer o mesmo, segundo o superintendente da Fiemt, José Epaminondas Mattos Conceição.

“O potencial de biomassa de Mato Grosso é muito grande”, aponta Canavarros. A casca de arroz, por exemplo, é um excelente resíduo para geração de energia. O estado é atualmente o maior produtor de arroz de sequeiro do Brasil, mas quase toda produção local não é beneficiada no Estado. “As indústrias madeireiras, cujos resíduos são um sério problema ambiental, principalmente durante o período de seca, também poderiam ter energia própria”, comenta o professor.

Canavarros atualmente é consultor da Universidade de São Paulo (USP) num trabalho que a instituição está fazendo para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sobre aproveitamento de biomassas na Amazônia. A exemplo do Programa Estadual de Incentivo ao Cultivo do Algodão (Proalmat), que concede isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para cotonicultores, Canavarros acredita que o governo deveria estipular um programa, também de isenção de tributos, para os industriais que utilizam energia de biomassa.

Na semana passada, os membros do Niep estiveram na Usina de Manso. “O que está acontecendo agora é apenas um ‘destempero’ do início das atividades”, defende o professor. Canavarros, que foi presidente da Fiemt entre os anos de 1975 e 1988, sempre foi um defensor da retomada das obras de Manso. “Ela (a usina) vai gerar energia para as hovas de pico e ajudará a conter possíveis enchentes”, diz.(JPL)




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