Barragens em construção afetarão 80 mil famílias

É preciso haver um grande e amplo debate sobre a questão energética em Mato Grosso. A avaliação é do representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no Estado, Sérgio Andrade. “Não existe uma alternativa energética padrão. Para cada região temos uma realidade”, comenta Sérgio. “Debater sobre energia implica discutir o modelo de política industrial que se pretende para toda a sociedade”, destaca.

Sérgio lembra que o projeto para 2015 do governo federal prevê a construção de 500 barragens em todo o Brasil, num investimento total aproximado de US$ 25 bilhões. Tais barragens devem atingir 300 mil famílias, ou cerca de 800 mil pessoas. “Este plano representa o beneficiamento de construtoras e empreiteiras, que levam os lucros e nunca são responsabilizadas pelos danos ambientais, que quase sempre são irreversíveis”, denuncia o representante.

O MAB é um movimento nacional que existe há 20 anos. De acordo com levantamentos da entidade, são cerca de 2,2 mil barragens construídas em todo o País, e que já acarretaram na expulsão de mais de um milhão de pessoas de suas casas. O movimento denuncia ainda que as barragens são responsáveis hoje por 20% de toda a dívida externa brasileira.

Até o ano passado as hidrelétricas já construídas no Brasil representavam 97% de todo o potencial instalado, que é de 64 mil megawatts. Este número gerou a inundação de aproximadamente 3,5 milhões de hectares de terra. As 42 barragens que estão sendo atualmente construídas devem afetar aproximadamente 80 mil famílias. O MAB entende como atingido todos aqueles que sofrem impactos pela barragem, direta ou indiretamente.

O Movimento também descreve que hoje um dos sérios problemas que o sistema energético brasileiro enfrenta está no sistema de transmissão e distribuição, onde são perdidos 17% de tudo que é gerado. Este percentual, de acordo com a entidade, equivale a toda produção de Itaipu, enquanto os padrões internacionais aceitos variam entre 5% e 7%.

A idéia de que se faz necessário investir nas energias alternativas é defendida pelo movimento. Com base nisso, o planejamento das políticas energéticas deveria contemplar a participação da população, nas decisões e execuções, discutidas coletivamente. As questões ambientais, sempre considerando a realidade de cada barragem, deveriam priorizar questões ambientais e sociais, pelo que defende o MAB.

Os chamados aproveitamentos múltiplos, como acontece com Manso, também são questionados: como falar em irrigação com águas poluídas, como falar em lazer e pesca com águas sem oxigênio? (JPL)




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