Usina de Balbina também foi desastre ambiental

Se a partir da comparação entre Manso e outras hidrelétricas construídas por Furnas Centrais Elétricas S.A os dados não são animadores, confrontar suas características com a hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, é ainda mais desalentador. Os projetos são semelhantes, principalmente em seus problemas.

O fechamento das comportas de Balbina aconteceu em 1989, mas antes disso a obra amargou mais de uma década de paralisação. Na hidrelétrica, que está localizada a 146 quilômetros de Manaus, foram gastos US$ 1 bilhão. Cerca de 30 mil hectares de terras indígenas foram inundados. A capacidade de geração é de 250 megawatts, mas este número só é alcançado quatro meses por ano.

Situada na bacia do Rio Uatumã – considerado de baixa capacidade hídrica – Balbina foi construída como usina de ponta de Manaus. A área alagada, com cerca de 2.380 quilômetros quadrados, ocupou uma densa floresta que, mais tarde, entrou em decomposição e prejudicou a qualidade da água. Nesta porção de terra viviam cerca de 25 mil animais.

O professor da Universidade da Amazônia, Rubem César Rodrigues Souza, doutor em Planejamento Energético, acredita que em termos de fornecimento de energia, Balbina se revelou interessante para Manaus, pois reduziu parte do gargalo energético em que a capital se encontrava.

“Porém, o projeto em si não levou em conta a questão ambiental. Naquela região, um sistema de aproveitamento múltiplo, com várias barragens, iria gerar mais energia e a área alagada seria menor. Também nunca saberemos exatamente o que foi perdido em termos de fauna e flora. Não houve nenhum levantamento”, comenta.

Além disso, a exemplo de Manso – que possuía como alternativa mais viável a hidrelétrica de Couto Magalhães – em Balbina havia uma opção mais inteligente, a usina de Cachoeira Porteira, no Pará. “O impacto ambiental seria muito menor que o de Balbina, além do potencial energético ser maior. Também seria fácil levar a energia de lá até Manaus”, descreve Rubem.

Como em Manso, os fatores que levaram à escolha de Balbina, e não Cachoeira Porteira, podem ter explicações políticas, na avaliação de Rubem. “É difícil recriminar tecnicamente o projeto de Balbina, pois os técnicos eram pouco ouvidos na hora da tomada de decisões”, lembra o especialista.

Em Balbina, a capacidade de produção de energia, devido à vazão do rio Uatumã, é baixa. “Há períodos em que o rio seca, não há vazão e a produção de Balbina é muito pouco significativa. Houve até ocasiões em que a usina recebeu energia do Parque Térmico de Manaus”, comenta Rubem.

O especialista não conhece a hidrelétrica de Manso, mas pondera que para se entrar num empreendimento deste porte é preciso, antes de mais nada, fazer muitas comparações. “Você tem que analisar as opções e perguntar: o que é pior? Melhor não tem, pois todas causam impacto. E a população precisa ser atendida”, aponta.

O projeto do governo federal – que prevê transformar os estados do Centro-oeste e Norte em produtores de energia para o sudeste – também é criticado pelo especialista. “Pela proposta do Governo, o imposto sobre a energia será cobrado pelo estado receptor, não pelo produtor. Vamos vender energia, mas não vamos poder recolher impostos dessa transação”, afirma.






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