‘Falta de chuvas causa baixo nível’


Técnicos da empresa negam, mas há possibilidade do lago diminuir, por conta da evaporação
Furnas Centrais Elétricas S.A afirma que está liberando quase 100% da água que chega ao reservatório, que conseguirá manter a cota de 90 mil litros por segundo na Grande Cuiabá e que a culpa pelo baixo nível do rio é a falta de chuvas.

Essa é a visão técnica do gerente de obras da empresa, Nelson Caproni. Ele sustenta o raciocínio ao mencionar que dos 73 mil litros de água por segundo levados ao lago da usina pelos afluentes do Manso, 67 mil litros por segundo passam pelo canal. O túnel possui 4,20 metros de largura e 4,20 metros de altura.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apenas entre 5 e 10 de setembro vai ocorrer a próxima chuva nas regiões centro e sul de Mato Grosso. Ele contesta a afirmação de que o nível do rio Cuiabá está abaixando por causa do empreendimento.

Caproni fala que a vazão verificada no rio Manso é de 75,43 mil litros de água por segundo. A marca é considerada como média, conforme levantamento de Furnas de 1932 a 2000.

A média mínima no mesmo período corresponde a 59,7 mil litros por segundo e a média máxima é de 94 mil litros de água por segundo. Ele falou que a usina já vai estar contribuindo com a regularização de secas em agosto.

“Este ano teremos mais de 90 mil litros de água por segundo, enquanto que em outros anos o rio registrava valores bem menores nessa época, na marca de 70 mil, 80 mil litros por segundo”, complementa.

Caproni menciona, no entanto, que há 20 dias o lago não sobe e que em junho ele aumentou de altura em 1 centímetro. Ele preferiu não falar em redução no nível do reservatório, uma vez que a tendência é o rio Manso ter de liberar exatamente 100% da quantidade de água que chega ao local.

Conforme explicação técnica dele, a cada segundo evaporam 4 mil litros de água no lago. Combinando a intensidade da seca com o nível de evaporação existe, sim, possibilidade concreta de a altura do reservatório diminuir.

“Qual seria o atraso para Furnas com relação ao prazo para o enchimento do lago e o funcionamento da primeira turbina (em novembro)? O que a redução do nível representa para a população abastecida pelo rio Cuiabá?”, perguntou a reportagem. “Não cogitamos essa hipótese”, respondeu Caproni.

PEIXES – A inviabilidade de aumento da vazão vai de encontro ao que pede o biólogo Francisco Machado, integrante do grupo da UFMT que pesquisou a Usina de Manso. Para ele, “já que não há qualidade, que tenha, pelo menos, quantidade”. O rio Manso possui 97 das 263 espécies de peixes da bacia do rio Cuiabá.

De acordo com Machado, só assim os peixes vão ficar menos expostos à pesca, predatória ou não. Machado está bastante preocupado com o futuro dos peixes no trecho que vai da barragem até o encontro do rio Manso com o rio Cuiabazinho. Os dois formam o rio Cuiabá. A extensão é de 80 quilômetros.

O trecho mais crítico compreende Santo Antônio e Barão de Melgaço, onde se pesca, principalmente, dourados e piraputangas. A baia de Siá Mariana é uma das que está correndo risco de morte.

Dezenas de outras pequenas lagoas que se espalham por boa parte do trajeto do rio Manso também estão morrendo. Elas funcionam como áreas nas quais os filhotes se reproduzem com mais segurança.

Nesse locais, existe matéria orgânica em abundância e os pequenos animais aquáticos ficam distantes dos predadores. “Muitas dessas lagoas estão fadadas à morte”, confirma Machado.






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