Projetos ambientais são inadequados, aponta UFMT

Um grupo de 13 professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) analisou 12 dos 21 programas relacionados à construção da usina e concluiu que seis estão sendo conduzidos de forma inadequada.

A pedido do Ministério Público Estadual de Cuiabá os docentes iniciaram os estudos em 25 de fevereiro. Fizeram uma visita ao empreendimento em 7 de abril e analisaram os relatórios de Furnas até 22 de junho.

O material que chegou até os pesquisadores, além de diminuto, continha informações insuficientes para embasar uma avaliação consistente. “Parece-me que há uma execução física da obra em tempo previsto no cronograma que não é correspondido nas medidas mitigatórias”, resumiu o químico ambiental Edinaldo de Castro, coordenador do grupo.

Os programas criticados foram: limnologia e qualidade da água, hidrologia, ictiofauna, saúde e controle de endemias, conservação da flora e sistema geográfico de informações.

Os dois primeiros pontos indicam que a vazão do rio Cuiabá, na capital e em Várzea Grande, tem de ser aumentada de 90 para 100 mil litros por segundo, de acordo com o engenheiro sanitarista Luiz Airton Gomes.

Isso porque Furnas não fez nenhum estudo que avaliasse o impacto do atual fluxo de água, por anos inteiros. A Defesa Civil e a Agência de Serviço de Saneamento de Cuiabá falam que a marca de 90 mil litros por segundo representa racionamento.

Castro analisou o controle sanitário da população que vive na área de influência da barragem. Percebeu que até o momento o cronograma não foi cumprido pela Secretaria Estadual de Saúde e pelo Instituto de Saúde Pública da UFMT. “Era um por mês. Deveriam ter cinco”. A reportagem apurou que, recentemente, o primeiro relato deste controle foi entregue à Fema.

Com relação à conservação de flora, a bióloga Cátia Nunes escreve que não há qualquer proposta de manutenção e inserção árvores na paisagem já existente.

Segundo ela, o projeto de implantação de viveiros e distribuição de mudas é uma pequena medida que não contempla um projeto amplo. “Falta referência conservacionista”, diz.

O Sistema de Informações Geográficas (SIG) foi considerado genérico e atrasado. As escalas de trabalho são de 1 para 100 mil e 1 para 500 mil. Sugere-se 1 para 25 mil e 1 para 100 mil, respectivamente. As escalas propostas, representam mais detalhes sobre as áreas e consequentemente, ações mais efetivas.

Além disso, o material analisado não apresenta estudos sobre os peixes antes do enchimento do lago e não foi encontrada nenhuma opção de proteção dos animais aquáticos.(GL)




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