‘Não estou arrependido’, afirma Frederico Campos

Foi o então governador Frederico Campos quem, em 1982, ao assinar convênio com os ministérios do Interior e de Minas e Energia, deu sinal verde para a Usina de Manso. Procurado pela reportagem do Diário, Campos chamou de levianos os atuais críticos da obra e ainda garantiu: não está arrependido.

“Tudo é questão de paciência. Os que estão reclamando não entendem nada desse assunto, são uns ignorantes. Ninguém é capaz de fazer omelete sem quebrar alguns ovos”, disse Campos, por telefone. “Depois vem a água, a energia e ninguém vai mais lembrar desse período inicial”.

Manso era uma obra prioritária, explicou o ex-governador, independentemente da construção de Couto Magalhães. “Não se trata de substituir uma pela outra, apenas de uma prioridade técnica. Havia um estudo técnico da Fundação Getúlio Vargas, indicando a necessidade da obra para que Cuiabá se tornasse um pólo distribuidor de energia”.

O Plano elaborado pela FGV previa usinas no Manso, no Cuiabazinho e no rio Cuiabá. Os três projetos, afirma Campos, trariam a auto-suficiência energética para a capital.

“Não houve interesse em inviabilizar a usina no Araguaia, mas, naquela época, era difícil conseguir recursos para duas obras tão relevantes. Também não havia como conseguir parceiros privados”, argumentou o ex-governador. “E essa história de bairrismo é uma grande bobagem. É coisa dessa gente, esses ecologistas, que não têm o que fazer e ficam fazendo onda”.

Além do bairrismo, há a suspeita de que um lobby de empreiteiras teria conduzido o governo e a Eletronorte na direção do rio Manso – cujo projeto previa um volume maior de obras e recursos. “Tinha é interesse de gente que queria tirar Manso daqui e jogar lá no Araguaia”, reagiu Campos, ao ser questionado sobre o assunto. “Mas isso já passou. O importante é a população compreender que as soluções técnicas nem sempre trazem benefícios imediatamente. Ainda mais quando se trata de uma obra desse porte”.

Onde o homem entra, altera a natureza, diz o ex-governador. “A água que cai numa represa é dada por Deus. É o melhor sistema que existe. Veja nos Estados Unidos e Europa a quantidade de problemas que eles têm com as usinas atômicas, que são muito mais impactantes”, propõe Campos, que identifica uma falha de comunicação no trabalho de Furnas. “A cobrança não pode ser feita levianamente como está sendo agora. É que Furnas não está fazendo a divulgação técnica suficiente para explicar os problemas causados pela obra”, acredita. (RV)




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