Couto Magalhães é mais viável, diz EIA-Rima

A alternativa mais plausível para Mato Grosso, por ter porte mais adequado à demanda e poder entrar em operação mais cedo que as demais, é a usina de Couto Magalhães. Essa afirmação, curiosamente, consta no EIA-Rima da Usina de Manso, no trecho em que são analisadas as opções disponíveis no estado.

Em seu relatório, Iglesias parte deste fato para demonstrar que não havia justificativa técnica para descartar a usina do Araguaia. Segundo ele, aquela obra, além de demandar menos recursos para a implantação, teria um impacto ambiental mínimo, em comparação com a de Manso.

“A barragem do Manso quebra a circulação dos peixes, enquanto que a barragem de Couto Magalhães já é quebrada pela natureza, ao se aproveitar um salto de 140 metros de altura(...)”, explica o engenheiro. “Além disso, a inundação do reservatório de Manso é quase 10 vezes superior, tornando evidente a sua desvantagem”.

Em um extenso capítulo, Iglesias analisa as obras sob os pontos de vista técnico, econômico, político e ambiental. “A nossa opção por Couto Magalhães se baseia em vários fatores, mas principalmente a firme disponibilidade hídrica, vazão segura e os poucos reflexos na ecologia”, explica o engenheiro, no relatório. “Além disso, no Araguaia, a potência firme será de 85mw, enquanto que a potência firme de Manso será de 70mw”.

Por conta da disponibilidade hídrica, e por possuir uma área alagada 10 vezes menor (44km²), o enchimento do reservatório de Couto Magalhães levaria cerca de um mês. “Isto significa que, após a construção total das obras civis dos dois empreendimentos, estimada em três anos, Couto Magalhães entraria em operação 35 dias depois. Em Manso, teríamos que esperar de um a quatro anos”.

O investimento previsto não irá compensar os danos, afirma o engenheiro. Considerando de que o período de seca seja ameno nos anos seguintes ao fechamento, a usina irá gerar, após quatro anos de enchimento, menos de 90mw de potência firme. “Até lá (o relatório se referia a 1997), o quadro da demanda energética de Mato Grosso exigirá outras providências”.

Iglesias encerra seu relatório com uma sutil constatação, quase um desabafo. “(...)Consta-nos que a construção da UHE-Manso é irreversível, de forma que este trabalho, executado a pedido por quem de direito, não fere a ética profissional. Que fique apenas como testemunho para a História, a ser respondido pelo tempo”.(RV)




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