Manso, uma obra e muitas dúvidas

Não é preciso transitar pelas pontes que ligam Cuiabá e Várzea Grande para concluir que a situação da principal identidade da capital – o Rio Cuiabá – é deprimente. Mesmo quem não vê as imagens das rochas se aflorando, sabe que estas águas já não trazem peixes. Nos últimos dias, o rio, e seus inimigos de concreto, se tornaram uma das maiores preocupações de quem vive por aqui.

Por conta desta constatação, o Diário On Line promoveu nas últimas duas semanas uma enquete eletrônica. O resultado revelou que a grande maioria dos internautas acredita ser a Usina Hidrelétrica de Manso, construída por Furnas Centrais Elétricas, a responsável pelos danos causados ao Rio Cuiabá. Votaram 1.177 pessoas, das quais 1.013 responderam que a hidrelétrica é a responsável, contra 164 que não atribuem à usina os danos.

Motivados pelos resultados da enquete, que desde o início demonstrava índices semelhantes ao número final, os repórteres Gibran Lachowski, Joanice Pierini Loureiro, Márcia de Oliveira, Paola Carlini e Rodrigo Vargas foram em busca de respostas para perguntas simples, que nove entre dez moradores de Cuiabá têm se feito nos últimos meses: afinal, se todos sabiam que Manso era seria uma tragédia ambiental, por que suas obras foram retomadas?

O trabalho de reportagem foi longo - durou cerca de 15 dias - tempo em que foram ouvidas 43 pessoas, entre promotores, assentados, pescadores, engenheiros, geógrafos, advogados, antropólogos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), de instituições de pesquisas de outros estados, do governo estadual e da empresa empreendedora, Furnas Centrais Elétricas S.A..

A resposta pode passar por fatores econômicos, implícitos na desestatização do setor energético. Pode ainda permear pelo campo político. Adiante você lerá oito páginas, e não terá uma resposta definitiva sobre o assunto, porque falta transparência aos setores envolvidos nesta discussão. A mesma transparência que faltou a Furnas para explicar porque uma reunião com pescadores, que estava prevista para a próxima terça-feira, foi cancelada.




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