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Quarta-feira, 14 de Março de 2018, 02h:04

Ameaça ao livre comércio

Só pode ser vista como condenável a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de impor barreiras às importações de aço pelos Estados Unidos, incluindo as feitas do Brasil. A iniciativa, baseada em promessas demagógicas de campanha, é justificada pela alegada necessidade de preservar o emprego de quem trabalha na indústria siderúrgica norte-americana. Num mundo globalizado, no qual a abertura comercial é vista como caminho para o crescimento, o impacto é considerável. Por isso, a atitude dá margem até mesmo a uma indesejável guerra comercial, com a disseminação de medidas protecionistas como forma de reação à adoção de barreiras tarifárias. Até agora, só México e Canadá têm chances reais de serem poupados da iniciativa. Isso significa que o Brasil corre o risco de sofrer consequências - e os prejuízos seriam relevantes. No ano passado, os Estados Unidos importaram US$ 2,6 bilhões, o equivalente a R$ 8,5 bilhões, em aço brasileiro. Responderam, assim, por quase um terço das vendas do país para o Exterior. Uma alíquota maior, como defende a Casa Branca, inviabilizaria as vendas nacionais para aquele mercado. Além disso, colocaria em xeque as importações de um insumo particularmente sensível sob o ponto de vista de empregos para os americanos: o carvão, usado na indústria siderúrgica brasileira. Se a decisão prevalecer, todos têm a perder, inclusive o consumidor norte-americano, que vai pagar mais por produtos importados - o alumínio também foi incluído na lista -, pois os Estados Unidos não produzem o suficiente para atender às necessidades internas. Os efeitos da globalização, que expôs as ineficiências das economias, sempre foram combatidos pela esquerda, que via nela uma imposição de países ricos para explorar nações subdesenvolvidas. Hoje, constata-se que a internacionalização dos mercados é criticada pela direita e usada como argumento para fechar fronteiras no primeiro mundo e estimular xenofobias. É lamentável que, com essa iniciativa populista do presidente Donald Trump em relação ao aço, décadas de avanços em negociações sejam colocadas em risco. As preocupações se ampliam diante do esvaziamento e da lentidão nas ações de instituições multilaterais criadas para enfrentar esse tipo de caso, como a Organização Mundial do Comércio (OMC). E há pouca margem para avanços em negociações bilaterais. Ainda assim, é preciso que o diálogo se sobreponha a qualquer risco de guerra comercial, pois os prejuízos seriam ainda mais elevados. É lamentável que, com essa iniciativa do presidente Trump em relação ao aço, décadas de avanços em negociações sejam colocadas em risco

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