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Cuiabá MT, Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020
ECONOMIA
Sábado, 01 de Agosto de 2020, 08h:34

SOJA, MILHO E BOI

Valor da produção agrícola quase dobra no Centro-Oeste em 10 anos

Segundo especialistas, região ampliará sua liderança no campo brasileiro nos próximos anos

MARIANNA PERES
Da Reportagem
Plantio de soja em Mato Grosso

Com novas colheitas recorde de soja e milho e o mais numeroso rebanho bovino do país, o Centro-Oeste do país alcançará, em 2020, o maior valor bruto da produção (VBP) agropecuária de sua história e confirmará a condição de locomotiva do campo brasileiro.

Dados do Ministério da Agricultura compilados pelo Valor mostram que, puxado pelos grãos, o VBP das lavouras de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal (a conta inclui 21 produtos) deverá somar R$ 168,4 bilhões neste ano, 17,5% mais que em 2019. Em relação ao resultado de 2011, o aumento é de 92,5%, ou R$ 80,9 bilhões.

Esse aumento representa 66% da alta do VBP das lavouras de todas as regiões do país na última década. Segundo as projeções do ministério, o VBP agrícola nacional atingirá R$ 480 bilhões em 2020, com altas de 11,6% ante o ano passado e de 34,3% (ou R$ 122,6 bilhões) na comparação com 2011 – os valores estão deflacionados pelo IGP-DI da Fundação Getulio Vargas (FAGV) de junho.

Soja e milho lideram o avanço do VBP agrícola do Centro-Oeste. A colheita de soja na região somou 58,9 milhões de toneladas na safra 2019/20, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 12% a mais que em 2018/19 e volume 73,7% superior ao do ciclo 2010/11. Na última década, a região respondeu por 54,8% do incremento da colheita brasileira da oleaginosa, que em 2019/20 atingiu 120,9 milhões de toneladas.

A seu favor na balança, o Centro-Oeste conta com propriedades produtoras de grãos em média maiores que as das demais regiões. Seus donos sabem que têm de investir em tecnologia desde que a Embrapa começou a desenvolver sementes adaptadas ao Cerrado, na década de 1970, e hoje contam com uma multiplicação de ferramentas digitais para melhor aproveitar a possibilidade de cultivar duas safras com produtividades elevadas.

Daí porque a colheita de milho também baterá recorde em 2019/20. Semeado, sobretudo, na safra de inverno, depois de colhida a soja de verão, o cereal deverá render 55,6 milhões de toneladas em 2019/20, com crescimento de 5,3% em relação a 2018/19 e de 221,4% ante 2010/11. Assim, o Centro-Oeste responderá por 88,7% do incremento da colheita total brasileira na última década.

Embora todas as unidades federativas do Centro-Oeste apresentem avanços, Mato Grosso é o grande destaque. No maior Estado agropecuário do Brasil, o VBP das lavouras, encabeçado por soja e milho, deverá alcançar R$ 102,3 bilhões em 2020, 110,5% mais que em 2011.

O cruzamento de dados do ministério também mostra que, enquanto a participação do Centro-Oeste no VBP agrícola sobe de 24,5%, em 2011, para 35,1%, em 2020, caem principalmente as fatias do Sudeste e do Sul. No Sudeste, a queda nos últimos dez anos é de 32,8% para 24,9%, enquanto no Sul, origem de boa parte dos agricultores do Brasil central, é de 26% para 20,7%.

PECUÁRIA - Com a demanda internacional aquecida e as compras domésticas firmes e com perspectivas positivas – sobretudo por parte de frigoríficos de aves e suínos -, a expansão das lavouras de grãos continua a preocupar os ambientalistas, uma vez que o Cerrado já sofreu grande desmatamento e a tendência pode se aprofundar, por mais que grande parte do avanço das lavouras seja sobre áreas de pastagens degradadas.

Em meio a um processo de intensificação, e também estimulada por novas tecnologias, as cinco principais cadeias da pecuária deverão alcançar um valor bruto da produção de R$ 56,6 bilhões no Centro-Oeste este ano, aumentos de 7,2% sobre 2019 e de 32,2% (ou R$ 14,1 bilhões) na última década. Nessa frente, a região respondeu por 26% da alta do VBP brasileiro desde 2011.

Os bovinos puxam a fila do valor da produção da pecuária. Nessa cadeia, o VBP deverá chegar a R$ 38,7 bilhões no Centro-Oeste em 2020, 42,8% mais que em 2011. São mais R$ 11,6 bilhões em uma década, ou 36,1% da alta total registrada pela bovinocultura no país. Mato Grosso também é o principal Estado da região quando se trata de pecuária. Na pecuária, quem mais perdeu enquanto a participação do Centro-Oeste passou de 23,3% para 23,9% foram Sul e Nordeste. No Sul, a fatia do total deverá ficar em 30,4% em 2020, ante 33,5% em 2011, e no Nordeste a queda é de 7,3% para 6,5%.

Para especialistas, como tem escala maior, empresários rurais cada vez melhor preparados, tecnologia à disposição e novas fontes de financiamento no mercado, o Centro-Oeste deverá ampliar sua liderança no campo brasileiro nos próximos anos.

“O Centro-Oeste é o Maracanã onde será jogada a partida a final da copa do mundo dos alimentos”, afirma Roberto Rodrigues, coordenador do FGV Agro, o Centro de Estudos em Agronegócios da FGV – e, claro, o ex-ministro da Agricultura aposta todas as fichas na vitória do Brasil.


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