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Cuiabá MT, Segunda-feira, 08 de Março de 2021
ECONOMIA
Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2021, 00h:00

SAFRA 2020/21

Colheita em MT segue lenta e reflete sobre o ritmo do País

MARIANNA PERES
Da Reportagem

A área cultivada com soja na safra 2020/21 do Brasil estava 0,7% colhida om final da semana passada, de acordo com levantamento semanal da AgRural. O número representa avanço de apenas 0,3 ponto percentual sobre os 0,4% de uma semana antes e é bem inferior aos 4,2% do mesmo período do ano passado. Por conta do atraso da soja, ainda não há plantio de milho. Mato Grosso, maior produtor nacional do grão, segue ainda em ritmo lento no campo, refletindo o atraso na semeadura da oleaginosa e impactando no saldo do País.

Conforme a atualização de colheita realizada pelos analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) até a última sexta-feira a colheita de soja alcançava 2,23% da área plantada, em cerca de 10,30 milhões de hectares (ha). “Vale ressaltar que as áreas que estão sendo colhidas no momento são áreas de pivô e a colheita deve se intensificar somente em fevereiro, no Estado, quando se estreita a janela ideal de cultivo do milho safrinha”, alertam.

A safra 2020/21 apresenta um atraso de 12,19 pontos p.p. em comparação à temporada 2019/20 e de 9,47 p.p. em relação à média dos últimos cinco anos. “Esse cenário é reflexo do atraso no plantio da oleaginosa, por causa da estiagem que perdurou entre os meses de setembro e novembro, fazendo com que algumas áreas necessitassem de replantio”.

A região mato-grossense com a colheita mais adiantada é a oeste, que conta com 5,30% de suas áreas colhidas, seguida pela região norte, com 3,81%. Já a região nordeste, concluiu apenas 0,56% dos trabalhos a campo, uma vez que as chuvas nesta última semana foram abundantes e interferiram nos trabalhos a campo.

A semana passada foi marcada por volumes significativos de chuva em grande parte das áreas produtoras de soja do Brasil. Com poucas lavouras já prontas devido ao atraso no plantio, essas precipitações favorecem a produtividade da safra, beneficiando as áreas em floração e enchimento de grãos.

Por outro lado, as chuvas constantes, com poucas aberturas de sol, o céu encoberto e a baixa luminosidade dificultam a colheita das primeiras áreas e tendem a atrasar a safra ainda mais, pois afetam a fisiologia da soja e podem alongar o ciclo da cultura em alguns dias caso o padrão mais chuvoso continue.

Na semana passada, a AgRural enviou para clientes uma nova revisão de sua estimativa de produção de soja na safra 2020/21 do Brasil. Apesar de ajustes de produtividade em diversos estados, o número ficou em 131,7 milhões de toneladas, praticamente inalterado em relação à estimativa de dezembro. Caso o clima continue colaborando com as lavouras mais tardias, a revisão de fevereiro poderá trazer ajustes positivos de produtividade no Rio Grande do Sul e no Matopiba.

PREÇO - Há dois fatores negativos presentes atualmente no mercado mundial da soja, de acordo com a equipe de analistas da Consultoria TF Agroeconômica. O primeiro “preços e cotações muito elevadas – que podem provocar reversão, como ocorreu com os Fundos e poderá ocorrer com as trituradoras”.

Isso ocorre pelo enorme aumento do custo e encolhimento das margens de esmagamento, considerando que o óleo de soja subiu nesta semana, mas tinha caído na semana anterior e está andando de lado desde outubro, em Chapecó, por exemplo. “Os preços já subiram R$ 17/saca desde dezembro, o que já é muito. Em nossa opinião podem subir um pouco mais, mas a alta será limitada pelo início da colheita e pelos altos custos dos compradores”, comenta a TF.

“O segundo fator negativo é a iminência da entrada da safra brasileira. Embora muito atrasada, os compradores (que sempre tem estoques para pelo menos dois meses) sabem que, a partir de fevereiro, poderão contar com a soja brasileira em volumes maiores. Então, a ‘falta de soja’ relatada acima é de curto prazo”, acrescentam os analistas.

De acordo com os especialistas da TF, é possível que os futuros em Chicago possam subir um pouco. A Consultoria aponta como fatores de alta a falta de produto no mercado: “Os estoques de soja nos EUA estão baixíssimos e no Brasil idem. De outro lado, a China continua com seu apetite voraz por matéria-prima”.

“Sim, a soja pode subir, mas não vemos nada muito mais expressivo do que tivemos até agora. Finalmente, cabe-nos mostrar o que realmente interessa: a lucratividade, que está ao redor de 95,55% para o sojicultor do Sul do país. Como sempre dizemos, muita gente perdeu grandes lucros por correr atrás de preço. Não seja um deles”, concluem os analistas da TF.

Os analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) destacam que os preços na Bolsa de Chicago registraram queda de 2,93% no acumulado semanal, cotado a US$ 13,71/bushel, padrão de medida norte-americano que equivale a 27,21 quilos. O contrato para março/21 da CMEGroup apresentou queda de 2,70%, fundamentada pela melhora nas condições climáticas na América do Sul. “Já em Mato Grosso, o indicador Imea/MT ficou cotado a R$ 149,36 a saca (sc) na média semanal, movida, principalmente, pelas atenções com a colheita da nova safra.

Com relação à colheita do grão, o Estado alcançou 2,23% das áreas colhidas até a última sexta-feira, valor 9,47 pontos percentuais (p.p.) em relação à média dos últimos cinco anos.

 


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