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Cuiabá MT, Terça-feira, 14 de Julho de 2020
ECONOMIA
Terça-feira, 30 de Junho de 2020, 00h:00

PANDEMIA

Aumento de casos preocupa produtores de MT

Previsão de aumento de casos da Covid-19 no Estado podem afetar próximo plantio

RAFAEL WALENDOF
Especial para o DIÁRIO

O expressivo aumento do nu?mero de casos de covid-19 em Mato Grosso nas u?ltimas semanas preocupa cada vez mais os produtores agropecua?rios. Por mais que esteja causando problemas nas operac?o?es da indu?stria de carnes desde abril, sobretudo por causa de fa?cil disseminac?a?o entre funciona?rios de frigori?ficos, o novo coronavi?rus na?o atrapalhou a colheita de gra?os de vera?o neste ciclo 2019/20, finalizada com novos recordes. Mas comec?ou a causar transtornos nos trabalhos envolvendo as segundas safras de milho e algoda?o e podera? afetar o ritmo do plantio de soja do pro?xima temporada — que comec?ara? a ganhar forc?a em meados de setembro, quando a disseminac?a?o da doenc?a devera? atingir o pico no Estado.

Um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) projetou que, ate? setembro, sera?o mais de 300 mil casos de pessoas infectadas — na capital Cuiaba? e, sobretudo, nos munici?pios do interior. Atualmente, sa?o mais de 11 mil casos no Estado. Para algumas func?o?es de colheita e plantio, atividades extremamente mecanizadas em Mato Grosso, o afastamento de trabalhadores pode ocasionar interrupc?o?es e elevar custos.

“Na?o e? ta?o simples substituir algue?m especializado para dirigir um trator totalmente mecanizado na u?ltima hora”, diz Glauber Silveira, vice-presidente da Associac?a?o Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho). Mas, segundo ele, a colheita da atual safrinha mato-grossense do cereal, que ja? alcanc?ou 16,3% de uma a?rea cultivada de 5,2 milho?es de hectares, sera?, em geral, preservada.

Em polos produtivos importantes, ha? cada vez mais relatos de afastamento de funciona?rios das fazendas apo?s testes positivos para a covid-19. “Esta?o ocorrendo baixas, ate? o momento contornadas”, afirma Tiago Stefanello, presidente do Sindicato Rural de Sorriso. “A doenc?a avanc?ou no campo e trabalhadores esta?o sendo afastados, especialmente em grandes grupos que esta?o fazendo a colheita de algoda?o e trouxeram pessoas de outras regio?es”, diz Emerson Zancanaro, presidente do sindicato de Nova Mutum.

A maior safra de soja da histo?ria de Mato Grosso, que lidera a produc?a?o brasileira de gra?os, com mais de 59 milho?es de toneladas, exigiu ajustes e cuidados extras nas fazendas, mas fluiu normalmente. Para garantir bons resultados com as segundas safras de milho e algoda?o, novas medidas ja? foram adotadas, incluindo quarentena para quem chega de outros lugares. “Uma grande propriedade contratou 250 pessoas de fora e teve o cuidado de iso- lar e testar todos eles”, diz Zancanaro. Ele pro?prio esta? adotando cuidados extras. “Tenho seis funciona?rios e na?o posso correr o risco de ter algum infectado. Caso isso acontec?a, minha colheita para”, afirma.

Em boa medida, os cuidados foram redobrados em func?a?o do grande fluxo de caminhoneiros, que atualmente escoam a produc?a?o das segundas safras ou entregam insumos para o pro?ximo ciclo, e tambe?m da circulac?a?o de representantes de empresas de sementes, fertilizantes e defensivos, que se intensifica ate? o fim de agosto. Marcos da Rosa, ex-presidente da Aprosoja Brasil e agropecuarista em Canarana, realc?a que, ale?m de medidas de higiente e distanciamento, outra ta?tica para evitar a covid-19 no campo e? o agendamento pre?vio das visitas dos representantes comerciais ou o fechamento de nego?cios online.

Representantes do setor consideram que a pandemia na?o tera? poder de reduzir a pro?xima safra, que de- vera? ter mais de 10 milho?es de hectares cultivados com soja, com colheita calculada em 34,7 milho?es de toneladas da oleaginosa pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecua?ria (Imea). Mas pedem a melhoria da estrutura de sau?de em cidades menores do Estado, onde vive grande parte da forc?a de trabalho do agronego?cio. Segundo a UFMT, sa?o 691 leitos de UTIs e 1.548 respirado- res em todo o Estado, onde apenas 14 dos 141 munici?pios na?o haviam registrado casos de covid ate? ontem.

Boletim do Ministe?rio da Sau?de mostra que, ate? 13 de junho, 4.590 munici?pios (82,4%) haviam registrado pelo menos um caso de coronavi?rus no Brasil. Em quase 40% das cidades do pai?s houve morte. Em Mato Grosso, 72% dos casos e dos o?bitos ocorreram fora da capital Cuiaba?. Ja? sa?o 11,4 mil infectados e 443 mortes no Estado, mais que o dobro que ha? duas semanas. A incide?ncia da doenc?a e? de 328,4 casos a cada 100 mil habitantes no Estado, ante uma me?dia nacional de 565,6. E o crescente i?ndice de letalidade atingiu 3,8% e se aproximou um pouco da me?dia brasileira, que e? de 4,5%.

Polos agri?colas importantes, como Sorriso, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde ja? te?m, juntos, mais de 1,1 mil contaminados. Ha? duas semanas, eram 377. Diante da escalada, algumas prefeituras adotaram medidas mais restritivas para tentar conter o alastramento do vi?rus. Con- fresa, por exemplo, foi o primeiro munici?pio a decretar "lockdown" em Mato Grosso, por falta de leitos hospitalares. As ac?o?es impactaram pequenos produtores, que ficaram sem feiras para comercializar produtos hortifrutigranjeiros, e reduziram o abate de bovinos pela metade em alguns dias. Ca?ceres tambe?m aderiu ao fechamento esta semana.

No cena?rio trac?ado pela UFMT, o novo coronavi?rus devera? se espalhar com maior velocidade nos pro?ximos meses e a reabertura da economia neste momento podera? acelerar a escalada. “A preocupac?a?o e? grande para o agronego?cio. E? questa?o de tempo para a epidemia chegar em algumas regio?es”, diz Moise?s Cecconello, professor da universidade e um dos coordenadores do estudo sobre a covid-19 em Mato Grosso.

Segundo o epidemiologista da Fundac?a?o Oswaldo Cruz (Fiocruz) Diego Xavier, a disseminac?a?o da doenc?a no interior de Mato Grosso, influenciada pelo fluxo de transporte de mercadorias agri?colas, ja? testa os limites da rede hospitalar pu?blica e privada do Estado. “Se for confirmado o crescimento observado de semana passada para ca?, o sistema vai entrar em colapso”, afirma.

Diante da piora da situac?a?o, o superintendente do Imea, Daniel Latorraca, afirma que tambe?m a logi?stica das exportac?o?es podera? ser prejudicada, sobretudo por causa das medidas municipais para restric?a?o da circulac?a?o das pessoas. Houve problemas do ge?nero no ini?cio da pandemia, mas o Ministe?rio da Agricultura ajudou a resolve?-los.

 


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