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ECONOMIA
Terça-feira, 03 de Abril de 2018, 17h:58

SEM GÁS

Âmbar suspende operação de usina e gasoduto

Após decisão do CADE, que arquivou ação da Âmbar contra a Petrobras, empresa diz que não há perspectiva de receber combustível

MARIANNA PERES
Da Editoria
A Usina Termoelétrica de Cuiabá e do Gasoduto Bolívia-Mato Grosso, deverão continuar sem funcionar por falta de gás natural. A controladora das empresas, a Âmbar Energia, que pertence ao grupo J&F, anunciou ontem que está suspendendo ‘temporariamente’ as operações. A decisão da Âmbar Energia ocorreu após a decisão da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), publicada na segunda-feira (2), de arquivar a ação movida pela empresa que acusa a Petrobras de de conduta anticoncorrencial no fornecimento de gás natural. Em nota distribuída ontem à imprensa, a Âmbar diz que a “consequência imediata é que não há perspectiva de a empresa voltar a receber o combustível, indispensável para o funcionamento da usina”. A decisão do CADE, segundo a Âmbar Energia, “não deixa alternativa, a não ser suspender temporariamente as operações da Usina Térmica de Cuiabá e do Gasoduto Bolívia-Mato Grosso, deixando temporariamente de competir no mercado”. Desde meados do ano passado a empresa tenta, sem sucesso, chegar a um acordo com a Petrobras, que detém o monopólio no Brasil no fornecimento de gás natural. Nos últimos nove meses, a Usina recebeu combustível suficiente para operar plenamente por apenas 35 dias, tornando inviável manter um empreendimento desse porte nas condições atuais. Os problemas da Âmbar Energia, em Cuiabá, começaram tão logo veio a público, no ano passado, o acordo de delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, principais acionistas da J & F, contra o presidente da República Michel Temer. No esforço de evitar a demissão imediata dos quase cem trabalhadores que atuam nas operações do Gasoduto e da Usina, a Âmbar informou que iniciará um processo de negociação com o sindicato para suspender temporariamente os contratos de trabalho (lay off). A Âmbar Energia disse ainda que irá recorrer da decisão do CADE para assegurar, segundo a empresa, o direito de concorrer no mercado de fornecimento de energia. A restrição de acesso ao combustível é uma questão relevante para o Estado do Mato Grosso, sendo que o próprio governo local tentou adquirir gás diretamente da estatal no final do ano passado, não sendo atendido. Implantada e inaugurada no inicio dos anos 2.000, a planta e o gasoduto seguem sendo o maior investimento privado consolidado no Estado, cerca de 700 milhões de dólares. Com capacidade de gerar 480 megawatts de energia em ciclo combinado de gás e vapor, a térmica pode suprir, sozinha, até 70% da demanda energética da Baixada Cuiabana. Desde a primeira eleição de Evo Morales como.presidente da Bolívia, em 2010, Mato Grosso e a térmica vem sentindo os efeitos de seu mandato, já que os contratos de fornecimento de gás natural ao Estado foram rompidos de forma unilateral. Morales forçou revisão de preços sobre o metro cubico do insumo, prometeu varias vezes a retomada do suprimento, mas desde então, nada foi cumprido. A Usina Térmica de Cuiabá, com capacidade é uma das mais modernas e eficientes do Brasil, e sua produção é relevante para o sistema elétrico nacional como reconhecido pelo Ministério de Minas e Energia, que chegou a interceder junto à Petrobras para que o fornecimento de gás fosse retomado. Mato Grosso oscila no ranking do país com a primeira ou segunda energia elétrica industrial mais cara do país. O Gasoduto Bolívia-Mato Grosso possui 645 Km de extensão, sendo 283 Km no lado brasileiro e 362 Km no lado boliviano, com capacidade de transporte de 4 milhões BTU/dia sem compressão e 7,5 milhões BTU/dia com compressão.

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