Segunda feira, 18 de novembro de 2019 Edição nº 9641 24/06/2000  










MEIO AMBIENTEAnterior | Índice | Próxima

Lavrador é preso por raspar casca de árvore

Ele usava a casca de árvore para fazer chá para sua mulher, que está doente

Da Reportagem

O ministro José Sarney Filho (Meio Ambiente) e as entidades ambientalistas Greenpeace e ISA (Instituto Socioambiental) criticaram a prisão, em flagrante, do lavrador Josias Francisco dos Anjos, 58, que, durante dois anos, raspou a casca de uma árvore para fazer chá para sua mulher, que está doente.

Josias raspava a casca de uma árvore chamada almesca, em uma área de preservação permanente que fica às margens do córrego Pindaíba, em Planaltina (a 44 km de Brasília).

O lavrador disse que usava a casca para fazer chá para a mulher, Erotildes Guimarães. Ela tem Doença de Chagas. Josias conta que soube que o chá melhorava as condições dos acometidos pela doença.

Segunda-feira, Josias foi surpreendido com um tiro para o alto, dado por soldados da Polícia Florestal, quando raspava a almesca. Preso em flagrante delito, algemado e levado para a delegacia, o lavrador foi enquadrado na Lei do Meio Ambiente (9.605, de 98).

Segundo o delegado Ivanilson Severino de Melo, Josias provocou "danos diretos ao patrimônio ambiental”, crime previsto no artigo 40 da lei. O delito, inafiançável, é punido com 1 a 5 anos de prisão.

Josias foi colocado numa cela com outros cinco presos, acusados de homicídio e roubo.

O ministro Sarney Filho foi visitar o preso e prestar-lhe solidariedade. Esteve na CPE (Coordenação de Polícia Especializada) ontem à tarde e mandou, depois, uma equipe do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) para estudar providências jurídicas a favor de Josias.

"No Brasil, ladrão de galinha vai preso, mas os grandes criminosos do colarinho branco estão soltos”, disse.

Josias disse que nunca roubou nada. "Eu não sei ler, nem escrever”, afirmou. "Cá na minha ignorância, eu não sabia que era crime tirar raspa de árvore, que foi Deus que fez, para dar chá para minha mulher”.

O lavrador chorou várias vezes. "Estou com vergonha até da minha mulher, por ela ser casada com um homem que já foi preso”. Para Josias, a honra é um patrimônio que a prisão lhe tirou.

Os ambientalistas também protestaram. Desta vez, a favor do acusado. "A gente tem coisa muito mais relevante como as madeireiras dilapidando o patrimônio ambiental dentro de áreas indígenas”, disse Délcio Rodrigues, do Greenpeace.

Segundo ele, o governo admite que 70% da madeira que é removida da Amazônia é retirada de forma ilegal. Rodrigues acredita que é preciso informar às pessoas que raspam cascas de árvores que não o façam circundando todo o tronco, porque pode matar a planta.

"Essa prisão é um absurdo”, disse André Lima, assessor jurídico do ISA. Na sua opinião, deveria haver multa, levando-se em conta a situação financeira do acusado de cometer o crime. "Se não houver nenhum tipo de punição, pode haver efeito multiplicador que danificaria o ecossistema”, afirmou.



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· Gostaria de saber o número do processo p  - Jéssica
· é incrivel policia atirar para o alto pa  - Sergio Augusto Ferreira
· Ele é pobre gente, por isso aconteceu tu  - José
· E eu fico me perguntando: onde está a   - CLEMILTON
· Um lavrador que nunca passou pela polici  - ana aguiar
· Um lavrador que nunca passou pela polici  - ana aguiar
· este fato ocorrido é uma tremenda vergon  - keila cunha
· A culpa é nossa, somos um povo inerte, c  - Roberto Araújo do Nascimento




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