Quarta feira, 18 de outubro de 2017 Edição nº 10074 23/09/2001  










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Alcorão não prega a intolerância religiosa

Da Reportagem

Walide Khaled Omais, Muamar Okde, Nasser Hussein Fares. Se a sonoridade dos nomes lhe parece estranha e o faz pensar que pertencem a estrangeiros do oriente médio, enganou-se. Os três são de cuiabanos de “tchapa”, como adjetivam os moradores da capital quando se referem aos que nascem aqui. Estranho? Não. Os nomes e os pais dos três têm origem estrangeira: são árabes. Walide, Maumar e Nasser fazem parte da primeira geração de descendentes de libaneses, crentes na religião islâmica nascidos em Cuiabá.

Eles foram procurados pela reportagem para contar um pouco sobre sua cultura, religião e dizer o que pensam sobre a postura de Osama Bin Laden, o principal suspeito de ter planejado o ataque terrorista aos Estados Unidos no último dia 11. Segundo o pai de Walid Omais, Khaled Omais, 57 anos, que veio com 10 anos do Líbano para o Brasil, é seguidor fiel dos ensinamentos do Alcorão e freqüentador da mesquita, qualquer problema que acontece no mundo ocidental, depois da Guerra Fria, é culpa dos árabes segundo os norte-americanos. “Sempre nos taxam de terroristas e quando acontece um atentado somos os primeiros culpados. Posso citar os exemplos de erro de julgamento que cometeram quando indicaram o assassino do presidente John Kennedy, e o autor do atentado em Oklahoma. As primeiras suspeitas caíram sobre árabes, mas depois descobriram que eram gente de seu próprio país”, avaliou.

Khaled Omais afirma que a religião islâmica nunca pregou a morte, a intolerância, e que nos princípios do Alcorão, livro sagrado, comparado à bíblia dos católicos cristãos, as orientações são exatamente contrárias.

Omais diz entender que a origem dos conflitos que ligam Bin Laden às atividades terroristas contrárias aos Estados Unidos está relacionada mais aos problemas políticos, econômicos, e sociais da região, em sua forma pura, que à religião. “Eles são um povo que vive em guerra, com fome, tem suas casas saqueadas e guerrilhas financiadas pelos americanos. Não aprovo o que fazem, porém, a reação é de extremista sim”, avaliou. Para Maumar Okde, 30 anos, formado em jurisprudência islâmica pela faculdade de Jurisprudência do Líbano, os seguidores do Islã não podem ser caracterizado como radicais, desumanos e injusto. Ele argumenta que nenhum país do mundo hoje serve como exemplo de governo islâmico. “O que temos são países com maioria muçulmana governados por monarquias e ditaduras, a exemplo da Arábia Saudita, Jordânia e Egito respectivamente. No Islã o Califa é escolhido por características definidas no Alcorão. Entre elas está a de ter grande conhecimento e capacidade de fazer Justiça”, disse.

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