Terça feira, 17 de outubro de 2017 Edição nº 10074 23/09/2001  










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Famílias mantêm tradição islâmica

Descendentes de sírios, libaneses e palestinos, cerca de 600 seguem princípios de Alá em Cuiabá

Geraldo Tavares/DC
Mulçumanos rezam voltados para Meca na única mesquita existente em Cuiabá, no bairro Bandeirantes
MARCIA OLIVEIRA
Da Reportagem

Cinco vezes ao dia a presença divina deve ser lembrada com orações para o muçulmano que segue a risca os princípios do islamismo. Não importa o lugar, as condições e dificuldades, o “salat”, o segundo dos cinco pilares da religião, deve ser cumprido ao amanhecer, ao meio dia, no meio e final da tarde e à noite como forma de professar a fé em Alá e delinear o tom do dia.

Em Cuiabá uma comunidade com 150 famílias descendentes em sua maioria de libaneses, sírios e palestinos cultuam o Deus divulgado pelo profeta Maomé, segundo o presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana, Walid Khaled Omais. Porém, a minoria seguiria de fato os princípios definidos no Alcorão, livro sagrado para os muçulmanos onde foram registradas fielmente, segundo os seguidores, as palavras de Deus transmitidas a Maomé através do anjo Gabriel no século VII, depois de cristo.

De origem árabe, a religião teve sua expansão iniciada com o profeta a partir de 622 com a criação da Umma (comunidade de crentes) na cidade de Medina, onde o Islã fundamentou as características de religião-estado. Essa condição não recebeu contestações até o século XX. Após a morte de Maomé, os quatro califas que o sucederam expandiram a religião para além dos domínios árabes. Atualmente estima-se que os adeptos do Islã (submissão à vontade de Deus), religião que mais cresce no mundo, tenha 1,3 bilhões de adeptos. No Brasil eles seriam um milhão.

Uma exigência que não pode deixar de ser cumprida enquanto se faz a oração é a de voltar o rosto para Meca, cidade da Arábia Saudita onde fica a mesquita sagrada, e onde Maomé morava quando começou a pregar os versos do Alcorão. O livro foi dividido em 114 capítulos nos quais foram descritos o fundamento do monoteísmo e os princípios morais que regem a comunidade. Eles são entendidos como lei islâmica e vontade de Deus.

Os outros quatro pilares da religião são: primeiro professar que não existe outro Deus que não Alá; terceiro, fazer o pagamento de 2,5% de seus rendimentos anuais em dinheiro ou mercadoria ao Estado com destino aos pobres; jejuar e abster-se de sexo, cigarro e bebidas durante o ramadã, (nono mês do calendário muçulmano), do nascer até o por do sol. A noite toda proibição é suspensa; e quinta e última, fazer a peregrinação à Meca ao menos uma vez na vida.

A mesquita islâmica em Cuiabá funciona desde 1978, e segundo o ex-comerciante, Khaled Omais, 57 anos, a construção foi feita com ajuda monetária de U$S 70 mil dólares enviados pela Arábia Saudita à Sociedade Beneficente Muçulmana. A intenção era manter a tradição islâmica na comunidade local. “Na época eram 95 famílias que viviam aqui e colaboraram para a construção. A maioria tinha vindo depois da Segunda Guerra Mundial e se estabeleceu na cidade como comerciante em ruas como a 13 de junho, Galdino Pimentel e avenida Generoso Ponce. Até 85, nessas ruas viviam só nossos patrícios”, lembrou Omais. Junto à mesquita também funcionou uma escola de 1ª a 4ª série de 1979 a 80. Nela as crianças aprendiam a língua árabe e a religião islâmica.

Segundo Omais, que já visitou Meca em duas ocasiões, entre as proibições da religião - que permite ao homem ter até quatro esposas se conseguir sustentá-la e manter a relação com justiça - estão a bebida alcóolica, a cobrança de juros, jogos de azar, comer carne de porco e matar em situações que não sejam de legitima defesa. À mulher é proibido sair sem autorização do marido ou do pai.

Porém, o presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana e filho de Omais, Walid, lembra que no islamismo a responsabilidade por cada ação é do agente, e a forma de interpretar as leis do Alcorão varia entre a comunidade em função das diferenças sociais, formação educacional, índole, entre outras variáveis. Em Cuiabá a maioria das famílias muçulmanas é de classe média alta e trabalha no ramo de comércio.

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