Sábado, 20 de outubro de 2018 Edição nº 9994 02/07/2001  










FENÔMENO MIGRATÓRIOAnterior | Índice | Próxima

Mudar para o campo para fugir da violência

Magistrados, profissionais liberais, empresários e executivos buscam no campo a fuga da violência

EVILÁZIO ALVES/DC
EDUARDO GOMES
Da Reportagem

O censo do IBGE divulgado no final do ano passado revelou que apenas 6.866 dos 482.498 habitantes de Cuiabá vivem na zona rural. Isso significa que mais de 98% da população é urbana. Esse índice traduz o perfil dos municípios das capitais brasileiras e, a ele deve se acrescentar um interessante fenômeno migratório cuiabano: pequenos agricultores mudam-se para a cidade em busca de emprego e magistrados, profissionais liberais, empresários, executivos, militares e aposentados fazem o caminho inverso, não em busca de alternativa de trabalho e sim fugindo da violência.

Foi uma verdadeira festa de arromba no Rio de Janeiro – expressão muito comum à época da colação de grau deles, em 1970 – a confraternização dos formando de odontologia da Universidade Federal Fluminense, do Rio, realizada no ano passado. Mas, nem mesmo esse evento, que tinha por objetivo principal reunir os ex-alunos daquela turma, conseguiu tirar Antonio Itaubi Corrêa da Costa da sua chácara nas imediações da vila Sucuri, numa curva nas barrancas do rio Cuiabá.

Itaubi, um dos integrantes da turma, bem que sentiu vontade de ir ao encontro dos ex-colegas. Só que esse sentimento foi menor que a paixão de continuar em paz, entre a rede e a terapia agrícola, cercado de verde por todos os lados, testemunhando o rio Cuiabá que passa ficando nos fundos da chácara.

Um lacônico telegrama de Itaubi para cada um dos ex-colegas figurou a presença dele entre os parceiros com os quais dividia o sonho de um dia se tornar um bom dentista, com sofisticada clínica odontológica numa grande cidade.

A sofisticada clínica ele teve por algum tempo e, no Rio. Depois, decidiu retornar à Cuiabá, cidade onde viveu desde que na infância deixou para trás a pequena Mimoso do marechal Rondon, no Alto Pantanal. De volta, em 1980, foi pioneiro – juntamente com outros três dentistas e quatro médicos - no Quadro de Saúde da Polícia Militar, com a patente de tenente. Em 95, então major, Itaubi aposentou-se.

Ao trocar o boticão e a farda pela aposentadoria, Itaubi teve condições de levar adiante o velho sonho de viver na zona rural. Segundo ele, essa opção não somente levou em conta o risco permanente que o cidadão corre nas grandes cidades, bem como a tradição familiar tanto dos seus ascendentes Corrêa da Costa quanto os Costa Marques.

Hoje, vivendo num sobrado amplo e bem mobiliado numa chácara com 10 hectares intercalados por pasto, horta, pomar, porto, piscina e academia de ginástica e distante 7 km de Cuiabá, numa fortaleza cercada por tela com arame farpado e vigiada 24 horas por vários e amedrontadores Rottweiller, Itaubi está auto-exilado de Cuiabá. Ainda assim, todos os dias, juntamente com a mulher, a contadora Maria Aparecida, cruza a estrada empoeirada – que está sendo pavimentada - para tomar benção à mãe, a professora aposentada Ruth Marques Corrêa da Costa.

De segunda a segunda, Itaubi permanece na chácara, com rápidas saídas diárias para Cuiabá. Aos domingos, o sobrado fica apinhado com os filhos e parentes. Longe da cidade e da violência urbana o major aposentado acredita ter encontrado a paz. E essa idéia se reforça a cada dia, principalmente quando ele olha para os braços e pernas, ainda parcialmente ´esfolados´ em conseqüência de um acidente de trânsito na avenida Miguel Sutil.

Acostumado a pedalar pelo corredor da chácara, onde a movimentação de carro fica por conta de sua picape, Itaubi não se deu bem em Cuiabá. Saía tranqüilamente de bicicleta do Parque Mãe Bonifácia quando um carro em alta velocidade o colheu em cheio. Por sorte, sofreu apenas escoriações. Ele não comentou sobre o acidente, mas seguramente isso reforça ainda mais sua convicção de viver em paz, longe da violência – inclusive a do trânsito – na chácara perdida numa curva do rio Cuiabá.

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