Terça feira, 12 de novembro de 2019 Edição nº 9993 01/07/2001  










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Presença dos pais é fundamental

Especial para o DIÁRIO

Como o anoréxico e o bulímico costumam esconder a doença, a ajuda às vezes demora. Os pais podem nem perceber que algo grave está ocorrendo em casa. Afinal, parece tudo tão bem. A filha, cada dia mais magra e mais parecida com a modelo das revistas, jura que está só perdendo uns quilinhos inúteis. E que não come porque não tem fome. E que se sente mais feliz assim. E que vai começar a comer melhor. Amanhã. Sempre amanhã.

“O doente não quer a verdade. Ele se engana e acaba enganando também a família”, lamenta a mãe de Sheila (nome fictício), uma anoréxica em tratamento. Desculpas é o que não faltam. Com pressa, Sheila não tomava o café da manhã. A janta pesava no estômago e quando as provas do colégio a deixavam nervosa demais, o único jeito era pular o almoço.

A doença foi desencadeada por um regime iniciado aos 15 anos, quando ela decidiu emagrecer fazendo dieta por conta própria. Emagreceu 10 quilos em oito meses. Gostou tanto que continuou. Em poucos meses, perdeu mais 10. O problema é que não parou por aí. Foram 32 quilos em quatro anos. Em dezembro passado, desnutrida e sem menstruar, ela pesava 42 quilos.

Hoje, aos 19, tenta ganhar peso com uma dieta orientada, mas está tendo dificuldades em seguir a prescrição da nutricionista. Três colheres de arroz e uma concha de feijão é uma porção grande demais para quem tem medo de engordar. “Estou com 45 quilos e preciso chegar aos 49, mas ainda não consigo seguir à risca a recomendação”, explica Sheila.

A mãe, que se sente culpada por ter demorado dois anos para descobrir a doença da filha, não está sozinha. A família, quando descobre o problema em casa, costuma achar que errou. Especialistas alertam, porém, que várias causas, de diferentes naturezas – biológicas, psicológicas e socioculturais – explicam a ocorrência dos distúrbios.

“Se fosse um problema puramente social, todos teriam”, argumenta o médico Everton Sukster, acrescentando que a pressão social pela magreza e a associação de que ser magra significa sucesso, beleza e felicidade contribui para disseminar as doenças.

O tratamento, este sim, jamais pode prescindir da família. O doente, na maioria dos casos, é uma menina com um histórico perfeito: boa estudante e obediente. Nas famílias, que com freqüência querem aparentar a inexistência de problemas, são observados casos de ansiedade, depressão e alcoolismo. Além disso, normalmente alguém da família dá valor excessivo à oscilação dos ponteiros da balança.

Tratar e analisar a situação familiar faz parte do tratamento das doenças, que podem causar complicações cardiovasculares, gastrintestinais, renais, pulmonares, dentárias, endócrinas, hematológicas e deficiências de vitaminas e sais minerais.

“Todas as mudanças de comportamento e de rotina são negociadas com a paciente e com a sua família”, explica a psicóloga Ieda Zamel Dorfman. Como as causas são variadas, o tratamento também é conjugado. O melhor deve incluir clínicos, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, terapeutas familiares e outros terapeutas, de forma a se conseguir uma abordagem ampla do paciente e de sua família.(PS)

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