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Bom sucesso: Provavelmente a novela não teria causado a mesma empatia um ano atrás, diz autor

Paulo Halm e Rosane Svartman comentam surpresas e curiosidades da trama, que chega ao fim nesta sexta-feira

Da Agência Globo - Rio

“São tempos ásperos, mas é na aspereza que surge a poesia.” É assim que Paulo Halm, autor de “Bom sucesso” ao lado de Rosane Svartman, define o espírito do tempo que ajudou a novela das 19h, que chega ao fim nesta sexta-feira, fazer jus a seu próprio título.

“Provavelmente a novela não teria causado a mesma empatia um ano atrás. As pessoas estão reagindo a esse momento em que escrever um livro com muito texto é considerado um absurdo”, diz ele, referindo-se ao presidente Bolsonaro, que em 3 de janeiro afirmou que os livros didáticos eram um “amontoado com muita coisa escrita”.

Na trama, que conta com direção artística de Luiz Henrique Rios, alguns dos lugares-comuns das novelas foram descartados: há romance, mas o que realmente mobiliza o enredo é a amizade entre a costureira Paloma (Grazi Massafera) e o editor de livros Alberto (Antonio Fagundes). Na reta final, o mistério não é sobre quem morrerá, e sim como Alberto, desenganado pelos médicos desde o começo, terá seu fim.

E tudo isso tendo como fio condutor a literatura. Se esta sempre serviu de inspiração para a teledramaturgia, em “Bom sucesso” ler, escrever e editar livros deram o mote da novela, guiando as principais narrativas. Um exemplo disso foi o episódio da última terça-feira, em que a escritora Conceição Evaristo fez uma participação no lançamento do livro de Alice (Bruna Inocencio).

A ideia de abordar o mercado editorial, conta Rosane, veio a partir da experiência dela e de Claudia Sardinha, uma das colaboradoras da novela, como curadoras do espaço jovem da Bienal do Livro em 2017. Na época, o convite foi feito pela editora Mariana Zahar, uma das inspirações para Nana (Fabiula Nascimento).

“Fiquei impressionada sobre como era possível falar de leitura, de temas tão diferentes e com um público tão diverso. Tivemos algumas sinopses negadas antes, e voltei achando que precisávamos abordar esse universo”, lembra Rosane.

A aposta que parecia arriscada se revelou certeira: segundo dados do Kantar Ibope, “Bom sucesso” obteve média de 29 pontos em São Paulo, igualando “Pega pega” (2017), novela com o melhor desempenho na faixa das 19h desde 2012. Mas deixa um legado maior: incentivou o consumo de livros. Títulos citados pelos personagens tiveram um aumento em buscas online, e a novela recebeu uma menção honrosa do Instituto Pró-Livro (IPL).

“ No Twitter, as pessoas cobram que a gente lance o livro da Alice. Também querem o livro do Mario Vianna (personagem de Lúcio Mauro Filho), só que não sabem que esse livro existe: as poesias dele são do Charles Peixoto, outro colaborador nosso”, diz Halm, se referindo à coletânea “Supertrampo” (7Letras).

Mas se não faltou poesia e sonho em “Bom sucesso”, a trama também não se afastou da realidade. Um dos momentos que deram o que falar foi quando o vilão Diogo (Armando Babaioff) tomou o controle da editora Prado Monteiro e prometeu acabar com “publicações LGBT XYZ imorais”. As falas geraram comparações com episódios recentes, como a tentativa de o governo federal cancelar um edital que contemplaria séries LGBT. Os autores são cuidadosos com o paralelo, mas lembram que “não vivem numa redoma”.

“ Muita gente fala que o Diogo é um vilão caricato. Mas a realidade é plagiária em certo sentido. Quando o secretário da Cultura (Roberto Alvim)foi defenestrado em sua arrogância nazista, coincidiu com a queda do Diogo da editora. A coincidência histórica é inescapável e reitera uma leitura da novela que não tem como a gente prever”, diz Halm.

Outra surpresa, lembra Rosane, foi a recepção positiva a Waguinho (Lucas Leto), jovem que se envolve com o crime e ganha uma segunda chance.

“ Eu, pessoalmente, tinha medo de abordar essa história num horário com classificação indicativa de 12 anos. Na pesquisa, vimos que todo mundo conhecia alguém parecido e queria ter esperança de que havia uma saída”.

Halm completa: “A tendência é que ele fosse ser rejeitado, chamado de bandidinho. Mas ele foi acolhido. Vimos que a coisa não está tão feia assim. Existe um sentimento de humanidade que não está perdido”.



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