Segunda feira, 24 de fevereiro de 2020 Edição nº 15395 25/01/2020  










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Antonio Fagundes sobre Regina Duarte: Torço para que não saia queimada

Par romântico da atriz em novelas, ele diz que tem pena dos artistas
que entram para a política e também fala sobre o fim de Bom sucesso


Maria Fortuna
Da Agência Globo - Rio

Antonio Fagundes conta que foi “uma choradeira só” nos últimos dias de gravação de “Bom sucesso”. Na novela, cujo derradeiro capítulo foi ao ar nesta sexta-feira (24), ele interpreta o editor de livros Alberto e contracena com Grazi Massafera, Armando Babaioff, Fabiula Nascimento, entre outros.

“Está todo mundo tristinho, sentindo falta dos personagens e das relações. A gente se gostou muito, acho que a novela passou esse nosso prazer para o público”, diz.

O folhetim deixa pelo menos um fruto. O podcast “Clube do Livro do Fagundes”, com ele dando suas dicas de leitura, que terá uma segunda temporada no Gshow.

Agora, o ator de 70 anos se concentra na peça “Baixa terapia”, em cartaz em São Paulo, e com estreia carioca marcada para o dia 1º de maio, no Teatro Clara Nunes.

Nesta entrevista, feita por telefone — o aparelho tocou exatamente na hora marcada por Fagundes, famoso pela pontualidade —, ele fala sobre suas convicções ao fazer teatro sem incentivo fiscal e da provável ida de Regina Duarte, seu par romântico nas novelas “Vale tudo” (1989) e “Por amor” (1997), para a pasta da Cultura de Bolsonaro.



P - Qual é a importância de uma novela que tem a literatura como protagonista?

AF - Deveria ser política de estado, né? Incentivar as pessoas a ler é tão importante para a formação de todos... Tão bonito conseguir essa função social com um trabalho feito inicialmente para divertir. Tive prazer enorme quando uma mãe levou o filho à minha peça. Ele tinha comprado todos os livros que indiquei no podcast (“Clube do Livro do Fagundes”, do Gshow).



P - É verdade que mergulhou na leitura aos 6 anos, quando teve mononucleose?

AF - Sim, isso mesmo. O primeiro clássico que li foi “Os miseráveis”. Nem tinha idade, mas alguém me passou por debaixo dos panos na escola. Me marcou muito.



P - “Bom sucesso” ironizou termos usados por Bolsonaro, discutiu racismo, machismo, relacionamentos abusivos. A novela é o Brasil de 2020?

AF - Toda obra que vale a pena faz referência ao seu momento. Mas eu ressaltaria a alegria, a positividade, a forma com que os personagens encaram a vida apesar de viver em tempos sombrios: com otimismo, esperança e vontade de lutar para que as coisas melhorem.



P - Como você, fã de livros, avalia esse momento em que o conhecimento está sendo negado?

AF - Não é só no Brasil, mas no mundo. Há uma tentativa de avanço das trevas. Mas como já disseram: “Não passarão”. Veja só, o livro que mais faz sucesso hoje é “1984”. Reflete a nossa atualidade e foi escrito em 1948. Tudo é cíclico.



P - O que achou do discurso de Roberto Alvim e como avalia a provável ida de Regina Duarte para a secretaria da Cultura?

AF - Serve para a gente prestar atenção. Graças a Deus, nosso sistema é democrático, e o governo acaba em quatro anos. Sobre Regina, tenho sempre pena de artista que entra nessa jogada. Temos tanta coisa para fazer e o jogo sujo da política só pode trazer coisa ruim. Torço para que a Regina não saia queimada. O fato é que com dotação orçamentária de 0,6% ninguém consegue gerir um patrimônio cultural do tamanho do Brasil. Não falo só de teatro e cinema, mas de patrimônio histórico, museus, sinfônicas, companhias de dança, de circo... Este enorme patrimônio que cria a nossa sociedade e faz com que nos reconheçamos no outro. Governo que destina essa quantia à Cultura não se interessa pelo Brasil. E esta, infelizmente, não é prerrogativa desse governo, acontece desde 1500.



P - Você fez par romântico com Regina em “Vale tudo” (1989) e “Por amor” (1997). Como é a colega de cena ?

AF - Talvez eu tenha sido o ator que mais fez par romântico com a Regina, foram uns três ou quatro. Sempre foi muito bom, é uma ótima companheira.



P - Acha que o comportamento de sedutor incorrigível do Atílio, de “Por amor”, reprisada em 2019, seria aceito hoje?

AF - Ele tinha delicadeza e gentileza. Fazia saladinha, mandava flores, era romântico. Não lembro de nenhum assédio do Atílio, ele era respeitoso. Acho que esta é uma visão é deformada. Acho até que ele era delicado demais. Na época, lembro de pensar “meu Deus, o cara faz saladinha”. Talvez, atualmente, fosse criticado pelos homens, porque hoje, infelizmente, quem faz saladinha está apanhando na rua (o ator se refere à homofobia).



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