Segunda feira, 24 de fevereiro de 2020 Edição nº 15393 23/01/2020  










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Fuga no Paraguai

A fuga de 76 detentos ligados ao PCC de um presídio em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia na fronteira com Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, não deveria surpreender autoridades de segurança, nem do Paraguai nem do Brasil. Há muito a facção paulista se espalhou pelo país e por nações vizinhas na América do Sul, pondo em prática os seus métodos mafiosos. A ação ocorrida na madrugada de domingo, em que 40 brasileiros e 36 paraguaios escaparam por um túnel escavado a partir do banheiro de uma cela, é mais uma demonstração do poderio dessas quadrilhas transnacionais.

Parece certo que, para atingir seu objetivo, a facção corrompeu funcionários — a fuga teria custado US$ 80 mil (cerca de R$ 335 mil). Na manhã de segunda-feria, o diretor do presídio, Christian González, e 30 agentes foram detidos. Há fortes suspeitas de que a fuga foi facilitada. Imagens de câmeras de segurança mostraram movimentação atípica na madrugada de domingo, mas isso não teria chamado a atenção dos guardas. Durante a escavação do túnel, ligando um dos pavilhões à área externa, 200 sacos de areia foram guardados numa cela, mas a cena também passou despercebida no presídio.

Embora a fuga tenha sacudido o governo do Paraguai — o vice-ministro de Política Criminal, Hugo Volpe, renunciou ontem, e a ministra da Justiça, Cecilia Pérez, chegou a pôr o cargo à disposição, o que não foi aceito pelo presidente, Mario Abdo Benítez —, o fato é que corromper agentes penitenciários é método usado por chefões dos cartéis de droga no mundo inteiro.

Também não é a primeira vez que facções brasileiras se mobilizam para libertar presos no país vizinho. Em outubro de 2018, a polícia paraguaia e a Interpol conseguiram frustrar um plano do Comando Vermelho para resgatar o traficante brasileiro Marcelo Piloto, preso numa unidade da capital, Assunção. Os policiais estouraram um esconderijo da facção carioca na cidade de Presidente Franco, mataram três pessoas e apreenderam armas, detonadores e dois carros carregados de explosivos, que seriam usados no resgate.

Portanto, está claro que o combate à violência — e o enfrentamento das organizações criminosas é parte importante desse processo — não pode ficar restrito ao país, como tem defendido o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Deve ser tratado em conjunto com os vizinhos, já que essas facções atuam em rotas que se estendem das áreas de produção da droga até os mercados consumidores e pontos de distribuição. Para lidar com essas quadrilhas, é preciso haver trocas de informação e colaboração permanentes entre as autoridades de segurança dos países. Ou essas multinacionais do crime continuarão desafiando os governos e o estado democrático de direito.



*José Ribamar Trindade é jornalista em Cuiabá



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