Segunda feira, 16 de dezembro de 2019 Edição nº 15352 20/11/2019  










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Vilão ambiental

O Brasil conseguiu fazer o relógio andar para trás e regrediu ao tempo em que era um dos vilões globais do meio ambiente. Os dados divulgados nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que há 11 anos não se via tamanha destruição na Amazônia. Trata-se do pior percentual de aumento em duas décadas, com avanço de 29,5%, atingindo 9.762 km². Em 1998, o percentual de desmatamento havia crescido 31%.

O Deter continuou a alertar para a explosão do desmatamento nos meses de agosto, setembro e outubro — fora desta análise do Prodes. Somado a isso, o presidente Jair Bolsonaro revogou o decreto que impedia o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia e no Pantanal. E a Moratória da Soja, uma iniciativa do setor privado que tem evitado perdas na floresta, foi criticada pelo Ministério da Agricultura.

O país havia conseguido combater com êxito o desmatamento e alcançado protagonismo inédito, que irrigaram negócios como a bioenergia. Agora, a reputação e a credibilidade na capacidade de manter a governança da floresta estão tão queimadas quanto a Amazônia e o Pantanal. E a tendência é que os números do ano que vem sejam ainda piores, continuada a tendência atual.

O Brasil vai contra as suas próprias metas de controle de mudanças climáticas. De agosto de 2019 a julho de 2020, elas previam 3.900 km² desmatados. A meta caiu com a floresta. Chegaremos à próxima Cúpula do Clima , em dezembro, em Madri, vitrine global para as políticas nacionais de meio ambiente, com as mãos sujas de terra arrasada.

O aumento da destruição da Floresta Amazônica mostrado pelo Prodes/Inpe já tinha sido projetado pelas análises do Deter-b , o sistema de alerta do Inpe, que registrou crescimento explosivo do desmatamento em maio, junho e julho, na esteira de ventos políticos desfavoráveis à Floresta Amazônica.

Os primeiros meses de 2019 viram uma política de governo favorável à redução de mecanismos de controle de desmatamento e da preservação do meio ambiente. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, criticaram o rigor da fiscalização e agentes públicos no exercício de sua função contra desmatadores ilegais foram repreendidos.

O próprio sistema de monitoramento do Inpe, cuja eficácia é validada, teve a credibilidade posta em dúvida sem provas e foram apoiadas a redução de unidades de conservação , a exploração de terras indígenas, a defesa dos interesses de garimpos em áreas onde ele é proibido. Para especialistas, isso incentivou o desmatamento, com o aceno de impunidade.

Não há sinal de redução à vista. Ao contrário. O Prodes analisa o período de 1º de agosto de um ano a 31 de julho do seguinte. Mas agosto passado foi de ferro e fogo na Amazônia.

As chamas das queimadas ardiam enquanto correntões, motosserras e tratores botaram a mata abaixo em ritmo classificado como explosivo por especialistas como o climatologista Carlos Nobre. Graças, sobretudo, à ação das Forças Armadas , as queimadas tiveram redução recorde em setembro. Mas não o desmatamento. Este continuou a crescer com fôlego. Caiu agora em novembro, mês em que tradicionalmente não se desmata devido às condições climáticas.

O ano de 2020 nem começou e já tem no chão da Amazônia combustível para novas queimadas. Especialistas como Raoni Rajão, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, alerta que a visão de curto prazo, para aumentar a exploração da floresta com gado, soja e cana, custará caro em acordos internacionais e mudanças climáticas.



O Brasil regrediu ao tempo em que era um dos vilões globais do meio ambiente



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