Sábado, 07 de dezembro de 2019 Edição nº 15350 15/11/2019  










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Brics ignoram crise na Venezuela e Bolívia

Itamaraty argumenta que apenas assuntos de envergadura global são incluídos na declaração final

Da Folhapress – Brasília e São Paulo

A declaração final da cúpula dos Brics aborda a crise humanitária no Sudão, a guerra no Iêmen, a ameaça nuclear na Coreia do Norte e o conflito na Síria —mas não tem nem uma única menção à Venezuela e à Bolívia, países vizinhos ao Brasil que vivem turbulências políticas e econômicas.

O Itamaraty argumenta que apenas assuntos “de envergadura global” são incluídos em declarações dos Brics. A crise venezuelana já gerou um êxodo de 4 milhões de refugiados.

O Brasil nem sequer tentou incluir no documento menções à crise na Venezuela e na Bolívia, sabendo que não conseguiria um consenso mínimo.

O Brasil está isolado ao reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, enquanto todos os outros países reconhecem como legítimo o regime do ditador Nicolás Maduro.

Em relação à Bolívia, o Brasil não considera que a renúncia de Evo Morales tenha sido provocada por um golpe de Estado, ao contrário do governo russo. A China também era aliada próxima do governo de Evo.

A Venezuela não entrou no texto, mas o Brasil insistiu e conseguiu emplacar uma menção à perseguição a minorias religiosas na Síria. “Também expressamos preocupação com o sofrimento de comunidades e minorias vulneráveis étnicas e religiosas (na Síria)”, diz o comunicado.

Cristãos e yazidis sofrem perseguição no território sírio. O tema é caro à bancada evangélica e se tornou prioridade da política externa do Brasil.

O país se uniu aos EUA na Aliança Internacional para Liberdade Religiosa. A cooperação na ofensiva contra a discriminação religiosa no mundo é considerada ponto-chave da parceria estratégica entre os dois países.

A iniciativa visa a defender todas as religiões, mas o tema foi abraçado especialmente por evangélicos e católicos mais atuantes.

BOLSONARO – O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (14) que a política externa do seu governo "tem os olhos postos no mundo, mas em primeiro lugar no Brasil".

A declaração ocorreu durante a 11ª cúpula dos Brics, realizada em Brasília.

"A política externa do meu governo tem os olhos postos no mundo, mas em primeiro lugar no Brasil. Para estar em sintonia com as necessidades da nossa sociedade, ajudar a ampliar o bem estar dos nossos cidadãos", disse o presidente.

"Sob a forma de avanços em ciência, tecnologia e inovação, de mais e melhores empregos, mais renda, melhor sistema de saúde pública. Tudo mais que faça diferença para melhorar o cotidiano de todos."

Viajaram a Brasília para participar da cúpula os presidentes Vladimir Putin (Rússia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul), além do premiê Narendra Modi (Índia) e do dirigente da China, Xi Jinping.

O Brasil manteve neste ano a presidência dos Brics, tarefa que em 2020 caberá à Rússia.

Apesar da defesa por uma política externa "que tenha os olhos postos em primeiro lugar no Brasil", algo que lembra o lema "os EUA primeiro", do presidente Donald Trump, Bolsonaro fez uma defesa enfática da relevância dos Brics durante sua fala.

Ele disse que o bloco criado há mais de dez anos, em meio a uma grave crise internacional, desde então tornou "evidente a importância das economias emergentes para a vitalidade da economia mundial".

"Hoje a relevância econômica dos Brics é ainda mais inquestionável e seguirá crescendo nas próximas décadas. A sua pujança no plano econômico, junto à diversidade, à criatividade e ao vigor das nossas sociedades e povos. Esses valiosos ativos constituem a matéria-prima para proveitosa cooperação dos nossos países", pontuou.

Bolsonaro também afirmou que o Brasil e os demais países do bloco coincidem na defesa de uma "governança global mais inclusiva".

Na quarta-feira (13), em eventos que ocorreram durante a cúpula, os demais chefes de governo e suas delegações defenderam o sistema multilateral.

A China, por exemplo, fez um apelo pela defesa das regras de comércio internacional.

FINANCIAMENTO - O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou ontem na 11ª cúpula do Brics que o Novo Banco de Desenvolvimento precisa "superar o desequilíbrio" existente em financiamentos que acaba prejudicando o Brasil. "O banco é um dos resultados mais visíveis do Brics e um aliado importante nos esforços de garantir um adequado financiamento de infraestrutura sustentável. Os números mostram que é preciso trabalharmos juntos para superar o desequilíbrio em desfavor do Brasil na carteira de financiamentos do NBD", declarou.

O Novo Banco de Desenvolvimento foi criado em cúpula do Brics ocorrida em Fortaleza, em 2014, com o objetivo de financiar projetos em países em desenvolvimento, com foco nos integrantes do bloco. A sede do banco fica em Xangai, na China.

Os únicos escritórios regionais fora da China ficam na África do Sul e em São Paulo, mas o da capital paulista ainda não está em plena operação. Bolsonaro afirmou hoje esperar que, quando estiver pronto, possa ajudar a incrementar a carteira de financiamentos no Brasil.

O aporte inicial à instituição foi de US$ 10 bilhões de cada um dos cinco países-membros do Brics, embora outras nações também possam participar dela, ainda que sem todas as prerrogativas.

Dos 45 projetos aprovados a serem financiados pelo banco, seis são brasileiros. Ao todo, somam cerca de US$ 1,4 bilhão em setores como infraestrutura, transportes, energia e sustentabilidade. Outros dois projetos estão em avaliação. A China conta com 13 projetos aprovados enquanto a Índia conta com 12. Rússia e África do Sul têm sete, cada.

O atual presidente do NBD, o indiano Kundapur V. Kamath, já afirmou ser preciso minimizar a disparidade. O próximo presidente do banco será um brasileiro, com posse prevista para o ano que vem.



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