Sábado, 07 de dezembro de 2019 Edição nº 15347 12/11/2019  










ENTREVISTA/MAITÊ PROENÇAAnterior | Índice | Próxima

Apartamento vai virar espaço cultural

Ela planeja transformar seu apartamento em espaço cultural, se dedica a vídeos no Instagram, diz que a questão da Amazônia vai além de ideologia

Da AE - Rio

Maitê Proença quer transformar um de seus dois apartamentos no Edifício Chopin, endereço elegante ao lado do Copacabana Palace, num “centro cultural de resistência”. Maria, sua filha de 28 anos, saiu de casa , e a atriz, de 61 anos, quer ocupar o “ninho vazio”, agora compartilhado apenas com Isadora Duncan, uma schnauzer branca.

A estreia será em outubro, com Amir Haddad encenando adaptação teatral de “Assim falou Zaratustra” na sala com vista para o mar, decorada com obras de Tomie Ohtake e Cristina Canale. Ali, o visitante só pisa depois de “calçar” um saco de algodão sobre os sapatos, à disposição na entrada. Adepta de uma vida saudável, Maitê não come carne, faz os próprios xampu, pasta de dente e sabão de lavar roupa. Colocou um filtro na pia do banheiro para melhorara água coma qual lava o rosto. No lavabo, porém, o que chama atenção é a frase escrita na parede dedicada a recados de amigos: “Todos contra a corrupção”. Foi por causa de política que ela se viu na berlinda. Depois de defender Regina Duarte, que apoiou Bolsonaro, em 2018, foi criticada nas redes. Também sofreu ataques por quase ter virado ministra do Meio Ambiente do atual presidente. Mês passado, se viu novamente no alvo após aparecer num protesto pró-Amazônia ao lado de artistas que erguiam cartazes contra o governo e sua política ambiental.



P- Como é a ideia do espaço cultural na sua casa?

MAITÊ - Um centro cultural de resistência para as pessoas ensaiarem e pagarem apenas a contribuição para afaxina, com pré-estreias em que se passe o chapéu. Coisas que agente faz na velhice, quando pensa no coletivo. Imagina eu velha sábia, generosa, com gente cri andoem volta e cheia de bisneto? Estou louca para ser avó!



P - Aos 40 anos de carreira, como enxerga sua trajetória?

MAITÊ - Poderia ter sido melhor. Tinha perrengues emocionais com os quais não estava preparada para lidar publicamente (em 2005, Faustão pegou a atriz de surpresa ao revelar, na TV, a história familiar de Maitê, que, aos 12 anos, teve a mãe assassinada a facadas pelo pai por ciúmes. Ele foi absolvido com ajuda do depoimento dela). Achava que podia morrer daquilo.



P - Como eram seus pais?

MAITÊ - Complexos, com defeitos avassaladores. E qualidades também. Minha mãe era hedonista, amava avida. Não teve mãe nem pai, precisava seduzir o mundo. Era divertida e irresponsável. Não boteiro upa até os 12 anos, andava pelada em casa. Me upa iera honesto, duro e inflexível. Quando fui morar na Europa (aos 16 anos, em Paris, para estudar), escrevia cartas a ele, que voltavam marcadas com os erros de português. Tinha que ser perfeita, era impossível agradar.



P - Em que momento da sua vida sentiu mais falta da sua mãe?

MAITÊ - Hoje. Antes, eu negava isso, não aguentava pensar. Quando tive estrutura para ir dentro de mim, comecei a sentir falta. De ela saber que eu sabia que mera ela. Quer iaque tivesse espaço para ser comigo o que não podia ser com ele (o pai). Muito da minha vida fiz em homenagem a ela (chora). Fui louca, tive namorados, fui amar enlouquecidamente e fazer sexo para ela.



P - Você é liberada no sexo? Escreveu uma crônica hilária sobre o 69 em 2004...

MAITÊ - Sempre achei complexo o 69. Estar relaxada embaixo e, em cima, ativa e hábil. Dando e recebendo. Parece culpa católica (risos). Não sei se sou liberada, mas não acho sexo tudo isso que dizem.



P - Você sempre foi linda e fez muitos papéis sensuais. Tinha essa consciência? Como é envelhecer?

MAITÊ - Não tinha consciência de nada. D eque mulheres não gostavam quando eu entrava num lugar. Os homens ficavam mexidos, pensam coma cabeça de baixo. Então, vivi num mundo imbecilizado. Me achava esperta pra sacar o comportamento das pessoas, mas descobri que sou tonta, ingênua, enganável. Fui traída por amigas, roubada pela secretária. Os psicopatas têm atração por mim, porque sou um poço de carência. É ilusão acharque você amadurece e se cura. Agente aprende a lidar com quem é, mas o buraco fica. Sobre envelhecer, é inevitável, mas muda a forma como o mundo olha para você, talvez te queiram menos.



P - Vai voltar com as peças “A mulher de Bath” e “À beira do abismo me cresceram asas”?

MAITÊ - Ficou difícil fazer teatro, aí fui para o Instagram, onde posto vídeos sobre mulheres que fizeram história. É um bom jeito de falar da mulher sem levantar bandeiras bobas. Preciso das redes para promover minhas peças, não tenho dinheiro nem patrocinador. Levei trambique dos produtores e parei para acertar as contas. Fiz tudo sem lei de incentivo e agora queria levar para comunidades. Estava na Rouanet, mas comesse mau humor com a lei, meu patrocinador recuou...



P - Acha que há má vontade com acultura e com os artistas?

MAITÊ - As pessoas não sabem o que é Lei Rouanet. O que torna o Brasil conhecido é a sua cultura. Não se ama o Brasil pelos bifes, as galinhas das granjas, ou a soja transgênica.



P - Como vê a questão da Amazônia? Foi cotada para ser ministra do Meio Ambiente?

MAITÊ - Existe um desmonte do que se construiu durante 30 anos por revanchismo com o PT. Não fui chamada pelo Bolsonaro, ambientalistas sugeriram o meu nome. Sabia que ia levar paulada da minha classe. Pela Amazônia, e rapara todos da remas mãos e deixara ideologia de lado.



P - Também foi criticada por defender Regina Duarte.

MAITÊ - Acho malvado a minha classe, que sabe da honestidade da Regina, jogar pedra porque ela pensa diferente. Me coloquei não porque concordo com ela, mas porque quero que preservem o direito de pensar diferente. Fiquei com vergonha da minha classe, da mesma forma quando destruíram a carreira do José Mayer. Em nome de um feminismo torto? Já trabalhei com o Zé, ele nunca avançou para cima de mim.



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