Segunda feira, 18 de novembro de 2019 Edição nº 15333 23/10/2019  










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Série de Bruno Barreto estreia na sexta

“Toda forma de amor”, uma série sobre mulheres trans, será exibida no Canal Brasil

Da Folhapress – São Paulo

O ano anda movimentado para Bruno Barreto: o diretor estreia a série “Toda forma de amor”, no Canal Brasil, na próxima sexta, e ainda tem dois novos projetos para lançar: a minissérie “O hóspede americano”, sobre a excursão que o ex-presidente americano Theodore Roosevelt e o Marechal Cândido Rondon fizeram em 1913, e uma série documental sobre trabalho escravo no século XXI, ambos para a HBO.

O cineasta de 64 anos ainda esteve na semana passada em Brasília, para a primeira reunião do Conselho Superior de Cinema (CSC), depois de um 2019 marcado por tensão entre o setor audiovisual e o governo federal.

Na entrevista a seguir, Barreto fala mais sobre “Toda forma de amor”, série com Guta Ruiz e Romulo Arantes Neto. Na trama, Romulo é Daniel, um filho de pastor que se salva da falência ao abrir uma boate para o público LGBT. É lá que ele conhece a DJ transgênero Marcela (Gabrielle Joie).

Enquanto acompanha a vida amorosa desses e outros personagens, a trama também traz suspense em torno de assassinatos em série de mulheres trans em São Paulo. Barreto ainda comenta a tentativa de barrar um edital da Ancine que contemplava produções com temática LGBT e revela como descobriu Joie, atriz trans que hoje está no ar também na novela “Bom sucesso”.



P - A série trata de amor, mas ao mesmo tempo, de assassinatos. Para você, o que é essa série?

BARRETO - Não queria pregar para convertidos. Não é uma série LGBT. Meu desafio era contar essa história para o maior número possível de pessoas. Todo mundo quer amar e ser amado, e todo mundo tem medo. Então tem essa história policial, mesmo, de quem é o serial killer, para criar um suspense. A série tem elementos de dramaturgia universal, atrai liberais e conservadores.



P - Mas dá para quebrar preconceito com uma série de TV? Hoje, as pessoas já não associam uma obra com um “lado” antes mesmo de ver?

BARRETO - Concordo, por isso que o marketing é importante. O público LGBT já vai ver. O desafio é fazer com que as pessoas que não veriam, vejam e gostem. A gente não se identifica só com pessoas fofinhas, politicamente corretas. Tem uma hora, na série, que você se identifica até com o pastor, com o secretário de Direitos Humanos, com a mulher do cara que gosta de se vestir de mulher.



P - A série foi gravada em 2017. Por que a demora para o lançamento?

BARRETO - Ela foi gravada logo depois eu fiz “O hóspede americano”, que era um projeto pessoal. Pela primeira vez na vida, coloquei dinheiro do meu bolso para fazer o roteiro. Então era uma série que eu não podia adiar, pela disponibilidade do ator americano (Aidan Quinn, que vive Theodore Roosevelt). Quando ela aconteceu, tive que interromper a pós-produção do “Toda forma de amor”.



P - Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu no Brasil e a pauta LGBT ganhou um senso de urgência. Como isso interfere no lançamento?

BARRETO - O timing é até melhor do que se a série tivesse sido lançada um ano atrás, porque o assunto está mais na pauta do dia. Novamente, na minha opinião, não é sobre LGBT, porque isso não é um tema. Não é uma série militante. Não tem nada ideológico, até porque acho que a arte tem que estar acima de ideologia.



P - A série foi contemplada por um edital da Ancine na época. Depois, houve uma censura a séries LGBT em outro edital...

BARRETO - Elas não foram censuradas. Foi uma tentativa, porque a Justiça já liberou.



P - Mas correram o risco de não existir. Como vê isso?

BARRETO - Sou contra qualquer tipo de censura, e já sofri isso na pele. Fiz filme na ditadura. Mas, na época, você fazia o filme que queria. A censura era quando o filme ia ser lançado. “Dona Flor e seus dois maridos” saiu aqui, pela primeira vez, com cortes, mas lá fora passou na íntegra. Agora, quase houve censura prévia, negando financiamento a séries que tratavam de certos temas. Mas a Justiça vetou. Prova que vivemos numa democracia. Não acho surpreendente: o governo que temos é conservador, e se parte do financiamento é por renúncia fiscal, ele pode tentar o que quiser. Mas a sociedade não deixou. Não acredito que vão insistir no mesmo erro.



P - A segunda temporada de ‘Toda forma de amor’ já está confirmada?

BARRETO - Não tem nada certo, mas acho que vai acontecer. Quando a gente começou essa série, ninguém queria falar desse assunto. Todo mundo disse não, menos o Canal Brasil. Isso em 2016. Hoje, seria completamente diferente. É impressionante como as coisas mudam rápido.



P - Tiveram alguma consultoria para abordar a diversidade de gênero e sexual? Havia, por exemplo, uma mulher trans na sala de roteiristas?

BARRETO - Não, era só o Marcelo (Pedreira, criador da série). Ele tem conhecimento do assunto que vem de uma peça e um curta com travestis como personagens principais. Não vou me submeter nunca a essa camisa de força do politicamente correto: se tem um personagem trans tem que ser feito por uma trans. Atuar é um ofício. Mas o Canal Brasil pediu para eu pelo menos testar. Localizamos a Gabrielle Joie, que tinha 18 anos na época. Escalei, e ela trouxe muito para a personagem, para responder a sua pergunta. Tem cenas na série que não estavam no roteiro, e vieram dela. Então não precisava de uma roteirista trans, ela trouxe muito.



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