Sexta feira, 15 de novembro de 2019 Edição nº 15333 23/10/2019  










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Downton Abbey leva ao cinema o despertar do século XX

FIlme derivado de série exibida em mais de 200 países entra em cartaz nesta quinta-feira, trazendo o universo em transformação da Inglaterra dos anos 1920

Da Folhapress – São Paulo

Estreia esta semana o filme derivado da série vista por cerca de 120 milhões de pessoas em mais de 200 países. Trama expõe transformações na Inglaterra dos anos 1920 e traz de volta interpretações magistrais como a de Maggie Smith, a Lady Violet.



A série concebida por Julian Fellowes que conquistou legiões de fãs ao longo de suas seis temporadas, “Downton Abbey” desembarca nesta quinta-feira (24) no cinema pelas mãos de Michael Engler.

Ambos, filme e série, terminam de maneira parecida. Calma, leitor/espectador, não se trata de spoiler. A conexão diz respeito a propostas de reflexão sobre o universo aristocrático representado pela suntuosa propriedade que intitula a obra original. No fim da série, o mordomo Carson (Jim Carter) afirma, antes de deixar a função que exerceu com fidelidade absoluta durante muito tempo, que “o mundo é diferente do que era e Downton Abbey deve mudar”.

Já nos últimos minutos do filme, a matriarca Violet (Maggie Smith), ao ver-se obrigada a afastar-se definitivamente do comando da propriedade, observa que os antepassados tiveram vidas diferentes e que as gerações seguintes também terão. Mas ela garante que Downton sobreviverá às transformações. Série e filme não se passam exatamente na mesma época. A primeira, claro, cobre um período maior.

A saga começa em 1912, no momento do naufrágio do Titanic, percorre os anos dramáticos da Primeira Guerra, que afetam diretamente os glamourosos salões de Downton Abbey, e fecha na passagem de 1925 para 1926. O segundo localiza sua história logo após, em 1927. Mas os panoramas apresentados não divergem.

Apesar de os personagens sinalizarem mudanças decorrentes das transições políticas, econômicas e sociais, o modo como as coisas ocorrem em Downton soa cristalizado. De um lado estão os ricos, que circulam por espaços agigantados, vestem roupas luxuosas e seguem à risca as regras de etiqueta. Do outro, os pobres — os empregados da propriedade, limitados às dependências domésticas, em especial à cozinha acinzentada agitada pela incansável Patmore (Lesley Nicol) e aos quartos modestos.

São dois planos contrastantes, reunidos numa única casa. Atravessar esses mundos, a não ser a serviço, não é habitual. Acontece aqui e ali. Na série, vale lembrar da reação contundente dos empregados diante da breve e surpreendente aparição de Robert Crawley (Hugh Bonneville) na cozinha. Há quem faça bem mais.

Sybil (Jessica Brown Findlay), filha de Robert e Cora (Elizabeth McGovern), assume uma alteração no padrão devida a ose unira o motorista da família, Tom (Allen Leech). No filme, Maud (Imelda Staunton) se mostra decidida a privilegiara dama de companhia, Lucy (Tuppence Middleton), como herdeira, determinação que gera indignação em Violet. Um eventual sopro de mudança se insinua.

INTERAÇÕES AMISTOSAS

Fellowes — que, para a série, se inspirou no seu roteiro de “Assassinato em Gosford Park” (2001), de Robert Altman, pelo qual ganhou um Oscar — traça um retrato bastante simpático da aristocracia, visão mantida por Engler. As interações entre patrões e empregados costumam ser amistosas. Robert demonstra gratidão pela dedicação de Carson, que, por sua vez, considera os Crowleys como sua família, ainda que nunca seja, de fato, incluído.

O episódio inicial da primeira temporada encerra com Robert evitando, subitamente, a partida de Bates (Brendan Coyle), que havia demitido na noite anterior. Mary (Michelle Dockery) permite que o parto da criada Anna (Joanne Froggatt) seja feito em seu quarto. Há um elo emocional sincero, mas talvez algo além disso.

“A aristocracia não sobreviveu sendo intransigente”, conclui Violet, em dado instante, na série, sugerindo, possivelmente, que a cordialidade pode funcionar como estratégia de dominação. Não é preciso adotar uma postura antipática ou impessoal para preservara rígida fronteira entre ricos e pobres. Essa demarcação impera no filme de Eng ler, que, provavelmente, será melhor apreciado por aqueles que possuem certa intimidade coma série.

A localização em meio às dezenas de personagens se torna mais simples. Não é, porém, imprescindível, uma vez que o espectador se depara com uma história fechada, que independe de informações prévias. A plateia acompanha agrande reverberação causada pela visitado Rei George V (Simon Jones) e da Rainha Mary (Geraldine James) a Downton Abbey.

As discrepâncias não existem apenas entre o salão e a cozinha. Os criados do Palácio de Buckingham chegam impondo autoridade em relação aos de Downton, que reagem à altura. Do lado de fora da propriedade, homossexuais sofrem discriminação e as mulheres ensaiam processos de libertação. Contando com integrantes do elenco da série, Engler prioriza a presença de Maggie Smith, que confirma o timing impecável e diverte o público com as tiradas sempre irônicas de Violet.



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