Sexta feira, 15 de novembro de 2019 Edição nº 15329 17/10/2019  










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Educação contra a desigualdade

Os formuladores de políticas de desenvolvimento do Brasil, um dos países mais desiguais do mundo, deveriam estudar a fundo o trabalho do trio premiado com o Nobel de Economia deste ano. Abhijit Banerjee e Esther Duflo, professores no Massachusetts Institute of Technology (MIT), e Michael Kremer, que leciona na Universidade de Harvard, foram os vencedores por seus experimentos que mostraram uma eficiente forma de combater a pobreza melhorando indicadores básicos relacionados à educação e à saúde de crianças no Quênia e na Índia.

Talvez a grande descoberta dos laureados pela Academia Real de Ciências da Suécia tenha sido a de que uma das estratégias mais eficazes para reduzir o abismo de renda na sociedade seja a de concentrar o reforço no ensino escolar nos alunos com o desempenho mais fraco em suas turmas. O foco no grupo com as notas mais baixas faz com que estes, a partir de uma atenção maior, tenham condições de melhorar a performance escolar, com reflexos positivos posteriores, ao longo da vida adulta. É inegável considerar promissor o resultado de uma proposta que, ao adaptar o ensino às necessidades das crianças, beneficiou 5 milhões de estudantes apenas na Índia. O esforço, é imperativo ressaltar, foi escudado por ações voltadas aos cuidados com a saúde dos colegiais.

O retrato atual do Brasil, com educação insuficiente e injustiça social, não difere tanto das realidades indiana e queniana. Por aqui, são cerca de 55 milhões de pessoas, um quarto da população, abaixo da linha da pobreza. Mais de 11 milhões de indivíduos nem sequer sabem ler ou escrever. Nos rankings globais de aprendizado, o país é ocupante contumaz das últimas posições. Se nada novo for implementado, as assimetrias tendem a se perpetuar.

O que o trabalho vencedor do Nobel comprova é que ajustes na política de educação podem ser a chave para diminuir a desigualdade e pavimentar o caminho do desenvolvimento. As barreiras sociais e econômicas e a crise no ensino público fazem com que não faltem, no Brasil, obstáculos a uma instrução satisfatória para os alunos mais carentes. É necessário quebrar o círculo vicioso hoje existente, em que fatores como renda familiar, cor da pele e o tipo de escola frequentada são determinantes na disputa por vagas em boas universidades e uma colocação digna no mercado de trabalho. Devolver qualidade à educação pública é a saída. Dar uma perspectiva de futuro para essas crianças é criar condições para o alvorecer de um país mais justo e próspero.



Dar uma perspectiva de futuro para crianças mais carentes é criar condições para o alvorecer de um país mais justo



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