Sexta feira, 15 de novembro de 2019 Edição nº 15329 17/10/2019  










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Renée Zellweger já desponta como favorita ao Oscar

Atriz de 50 anos encarna Judy Garland à beira da falência e arrebata a crítica e o público

Da Redação

Renée Zellweger está mais cautelosa com projetos que exigem demais sem dar o tempo necessário para digerir as experiências da maneira apropriada. Mas agora, a rotina exaustiva que ela se impôs até 2010 — com uma média de mais de dois filmes por ano — serviu de inspiração para seu novo trabalho. A atriz de 50 anos vem colecionando elogios e já é uma das favoritas ao Oscar por sua interpretação em “Judy”, ainda sem data de estreia no Brasil.

O filme acompanha Judy Garland em seu último ano de vida, quando ela enfrentava a maior penúria de sua existência. A atriz e cantora também foi explorada por uma máquina de Hollywood que raramente lhe dava tempo para descansar. E Zellweger diz entender como é chegar a “certo estágio em que você simplesmente não sabe se aguenta, mas tem de seguir em frente”. Para convencê-la a aceitar o papel, o diretor Rupert Goold se aproximou cuidadosamente, sabendo que uma oferta prematura poderia ter sido intimidante.

— Alguém me perguntou em que momento soube que estava dentro. Acho que ainda não chegou! — brinca a atriz, que recebeu o roteiro em 2017. —A princípio, não entendi por que eles pensaram em mim.

O filme exigia que ela cantasse longas sequências ao vivo, pois acompanha Garland à beira da falência após firmar um compromisso de cinco semanas de apresentações em uma casa noturna londrina. E, embora tenha sido indicada ao Oscar pelo musical “Chicago”, Zellweger não se considera uma cantora. Goold, no entanto, sentiu que a vulnerabilidade demonstrada por Zellweger em “Jerry Maguire” e a insubordinação que lhe rendeu um Oscar por “Cold Mountain” a tornavam perfeita para o papel.

— Garland tinha uma urgência emocional incrível. Você se sente diante de alguém com inocência e esperança inatas. E eu queria alguém com esse tipo de fragilidade — diz o diretor.

Ele acredita ainda que a experiência de Zellweger em Hollywood — o escrutínio de seus relacionamentos, além de especulações dos tabloides acerca de cirurgias plásticas — poderia ajudar a alimentar uma protagonista que precisa combater constantemente rumores preconceituosos.

AULAS DE CANTO

Então, Zellweger começou a explorar suas possibilidades. Como Goold insistia em não fazer sincronia labial, ela reservou um estúdio e contratou um professor de canto para ver se poderia alcançar o estilo vocal inconfundível de Garland. Trabalhou com um coreógrafo e um figurinista para transmitir a postura curvada e casual da atriz. Leu biografias, assistiu a vídeos antigos e frequentou fóruns de fãs atrás de qualquer detalhe útil. As sequências mais dramáticas de “Judy” trazem Garland obrigada a cantar, mesmo com a voz devastada pelo tempo e pelo vício. Goold se debruçou sobre esse suspense.

— Eu disse a Renée: vou estruturar o roteiro para que as pessoas não pensem apenas: “Será que Judy Garland vai conseguir fazer o que precisa agora?”, mas também: “E a Renée Zellweger, será que ela consegue?”

Para essas performances, ela se apresentou diante de uma plateia. E agora se lembra dessas cenas com o entusiasmo de quem pulou de paraquedas e não morreu.

—Fiquei extasiada. Muito inebriada. Imagine uma coisa que você nunca fez antes! Não me permiti pensar muito sobre isso. Estava no inconsciente, aterrorizando, e eu reprimia, reprimia, reprimia. Por sorte, foi um turbilhão tão grande que não tive tempo de parar e pensar: “Prefiro não fazer isso amanhã” — diz.

Em 2010, depois de ter trabalhado quase sem descanso durante toda a sua carreira, Zellweger deixou Hollywood para um hiato que durou seis anos, até ressurgir na sequência “O bebê de Bridget Jones”.

— Eu mentia para mim mesma, e não sei por quê. Eu não via o lado da exaustão com tudo aquilo. Houve um momento em que parei de perceber que precisava me cuidar — explica.

Ela não se arrepende de ter assumido vários projetos de grande porte por ano, mas esse tempo de descanso a ajudou a colocar as prioridades em ordem.

— Em vez de dizer: “Espero conseguir ir à festa de aniversário daquela pessoa especial”, eu precisava dizer: “Vou à festa de aniversário” e achava que não tinha esse direito, pois deveria me sentir abençoada por ter esse trabalho.

Livre dessa obrigação, ela começou a fazer terapia, viajou, estudou e escreveu um piloto para a Lifetime (o canal, no fim, recusou).

— Tirei uma folga para não regurgitar as mesmas experiências emocionais na hora de contar histórias. Vivi coisas novas, e isso ensina — diz a atriz, para quem, sem essa perspectiva, não teria sido capaz de interpretar Judy Garland. — Me fez apreciar a minha experiência de lidar com uma personalidade pública que interfere na sua vida.

O filme estreou no Festival de Toronto, em setembro, e foi recebido com aplausos eufóricos. Depois de todo o árduo trabalho, ela era aplaudida de pé por três minutos. Como se sentiu naquele momento?

— Não sei como processar isso — diz. — O que você diz sobre algo assim? “Parabéns por ser sortuda”?



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