Quinta feira, 17 de outubro de 2019 Edição nº 15325 11/10/2019  










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A princesa salva a si mesma neste filme

Com orçamento de R$ 15 milhões, grande para os padrões brasileiros, a adaptação de quadrinhos Princesa da Yakuza aposta em elaboradas cenas de ação e de artes marciais para conquistar o público

Da Folhapress – São Paulo

Logo após ouvirem o grito de “ação”, os atores Jonathan Rhys Meyers e Masumi Cherrie dão um salto à frente das câmeras, simulando a queda de um lugar mais alto. No topo de um prédio, fingem escutar um tiro. Na mesma sequência, outro ator, Tsuyoshi Ihara, aponta a pistola para o casal, que sai correndo em direção à uma porta. Em seguida, Ihara aperta o gatilho duas vezes. Só se ouvem cliques – o som dos disparos será inserido na montagem.

Esta sequência de perseguição deve durar entre seis e oito segundos na tela de cinema. Na vida real, demandou horas de filmagem em uma madrugada fria no começo de setembro, no topo de um complexo industrial desativado no Brás, região central de São Paulo. O irlandês Rhys Meyer e os japoneses Masumi e Ihara repetiram muitas vezes, sob vários ângulos, as cenas de que farão parte de “Princesa da Yakuza”, com direção de Vicente Amorim e ainda sem previsão de estreia.

“O Akira Kurosawa dizia que toda sequência de ação precisa ser um resumo do filme”, diz Amorim, citando o cineasta japonês no refeitório improvisado da locação.

“No trecho que acabamos de filmar, o espectador vai ver a interação dos personagens de uma forma truncada e violenta. Será levado a tirar conclusões que depois serão complementadas por informações que deixarão tudo mais claro”, disse.

O filme, falado em inglês e japonês, é inspirado na graphic novel “Samurai Shirô”, de Danilo Beyruth (autor da premiada HQ de cangaço “Bando de dois”, de 2010). Conta a história de Akemi (Masumi Cherrie), japonesa vivendo em São Paulo que descobre ser herdeira do clã que comandava a Yakuza, temida máfia oriental. Por acaso, conhece um estrangeiro sem memória, que chama de Shirô (Rhys Meyers) e que passa a protegê-la. Enquanto isso, Takeshi (Ihara), que prestava serviços ao clã da jovem, vem ao Brasil encontrá-la.

“A principal diferença entre os quadrinhos e o filme é de protagonismo. O primeiro se chama “Samurai Shirô”; o segundo, “Princesa da Yakuza”. O gibi é mais parecido com uma tragédia, os personagens são levados pela fatalidade. No filme, quando há uma cisão, Akemi toma as rédeas do seu destino”, avalia o diretor.

CURVA DE APRENDIZADO

Segundo LG Tubaldini Jr., que assina a produção com André Skaf em parceria com a Warner, “Princesa da Yakuza” deve ter orçamento final em torno de R$ 15 milhões. Para os padrões nacionais, é uma realização de grande porte. Segundo Amorim, é caro transpor cultura pop para o cinema, principalmente quando envolve ação e violência, “que têm gramática própria”.

“Era o dilema Tostines: como era caro, a gente não fazia; como a gente não fazia, não criávamos knowhow. Agora isso está mudando”, afirma o cineasta, que tem no currículo o suspense “Motorrad” (2017) e o ainda inédito “A divisão”.

O orçamento turbinado permitiu a Amorim delegar à Alice Gomez, diretora de segunda unidade, a coordenação das sequências de luta e contratar Ricardo Rizzo, especialista em artes marciais, para auxiliá-la. A produção teve à disposição de dez dublês, coordenados pelo veterano Agnaldo Bueno.

“Os filmes brasileiros têm tiroteio, correria, perseguição, mas não combates de artes marciais. Como não tínhamos essa cultura, fomos descobrindo no meio do processo. Nossa maior dificuldade foram as katanas [espadas samurais]. Tivemos de descobrir uma arma que fosse leve, durável e não quebrasse com facilidade”, diz Alice.

Rizzo tem extensa atuação como preparador corporal no teatro, em espetáculos como “Hamlet Gasshô” e “Três mundos”. Para o expert em lutas, cenas de ação transmitem tanto quanto um diálogo: “Tudo tem que ser muito bem pensado. Desde o conceito até o estilo de movimento de cada um. Quando entraram os atores, tivemos que adaptar tudo, porque cada um tem uma vivência e uma forma de atuar”.

EXPERIÊNCIA E ESPERANÇA

Tanto Masumi Cherrie quanto Tsuyoshi Ihara, os japoneses do elenco, passaram pelo processo. Ihara, 55 anos, que fez“Corações sujos” com Amorim (2011), tem mais cancha: “Fiz muitos personagens da Yakuza antes. Sobre sequencias de ação: quando eu tinha 18 anos, fui para a escola do [ator e artista marcial japonês] Sonny Chiba, onde fiz aulas ao longo de sete anos. Creio poder usar minha experiência nesse filme”.

Diferentemente dele, Masumi, que possui uma carreira paralela como cantora, não tinha nenhuma experiência com filmes de ação: “Mas meu marido é um artista marcial!”, aponta ela, ao lado do cônjuge, enquanto descansava nos camarins. “Tive muita sorte de ter um treinador competente para me ensinar a coreografia. Mas, quando chegava em casa, também tive a sorte de contar com meu marido para praticar. Espero que eu esteja bem. Vamos ver”, conclui.



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