Quinta feira, 17 de outubro de 2019 Edição nº 15325 11/10/2019  










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Em Projeto Gemini, de Ang Lee, Will Smith é perseguido por seu clone, 27 anos mais novo

Efeito de duplicar o ator na tela foi criado com tecnologia desenvolvida para o filme

Da Folhapress – São Paulo

Se a tecnologia deepfake é capaz de colocar palavras na boca do ex-presidente americano Barack Obama ou de fazer Jim Carrey encarnar Jack Nicholson em “O iluminado”, o cinema pode muito mais. “Projeto Gemini” , de Ang Lee , em cartaz nos cinemas, traz Will Smith vivendo dois personagens. Um veterano matador de 50 anos a serviço do governo americano (o próprio Smith) e seu clone 27 anos mais novo (Smith de novo, rejuvenescido graças ao deepfake). Eles contracenam em sequências de ação envolvendo perseguição, lutas e muito contato.

— Na primeira cena que filmamos me veio imediatamente à cabeça essa possibilidade bizarra de poder me encontrar, hoje, com o Will de 23 anos. Uma coisa é ler o roteiro, conversar com o Ang, outra estar ali, no ato. Não é como se deparar com um gêmeo, ou um filho, é outra coisa. E a cabeça martelava: mas Will, o que você faria? — pergunta o ator de 51 anos, para responder após pausa teatral —Quer saber? Teria inveja de mim mesmo: está lá sua versão menos calejada, sem as falhas físicas trazidas pelo tempo. Por outro lado, clonar alguém é mais um passo para a sabedoria humana.

“Projeto Gemini” (pronuncia-se “djêminai”, como o signo de gêmeos em inglês) foi elaborado ao longo de dois anos. O filme quis ir aonde Andy Serkis e o Gollum da trilogia “Senhor dos anéis” (2001-2003) jamais estiveram. Ou onde Chris Evans, que emagreceu digitalmente para fazer um recruta franzino em “Capitão América” (2011), pisou de leve. Ou ainda: onde Robert DeNiro e Al Pacino talvez estejam ao surgirem mais jovens em “O irlandês”, que estreia em novembro.

Por sua ambição, o filme envolveu em todos os seus estágios mais de 500 pessoas na garimpagem de imagens de referência e na confecção dos efeitos especiais que colocaram Smith no papel de Henry e Junior. O primeiro é um agente especial com talento para matar que está se aposentando. O segundo, seu clone mais novo, que o persegue com a vantagem de antecipar seus movimentos. Também estão no elenco Clive Owen e Mary Elizabeth Winstead, mas o foco é mesmo nos dois Wills. É como assistir ao jovem da série “Um maluco no pedaço”(1990-96) correr atrás do agente J de “Homens de preto III”(2012).

O versátil Ang Lee, que vai do drama histórico à fantasia, manja de efeitos especiais. Basta ver o que fez no subestimado “Hulk”(2003) e em “As aventuras de Pi”(2012), que lhe valeu um segundo Oscar de melhor direção — o primeiro foi por “O segredo de Brokeback Mountain”(2005).

Por outro lado, o taiwanês idealizou há três anos um dos maiores fracassos recentes de Hollywood, “A longa caminhada de Billy Lynn”, em que também apostou na novidade tecnológica. Foi o primeiro drama filmado em 3D com resolução digital 4K (com maior grau de detalhes) e versão original de 120 quadros por segundo (cinco vezes mais rápido do que o padrão das últimas décadas). Ninguém foi aos cinemas, e a crítica torceu o nariz. No Brasil, o filme foi direto para as plataformas digitais. O próprio “Projeto Gemini” não está indo muito bem: o índice de aprovação das críticas no site “Rotten Tomatoes” é de péssimos 32%.

Mas o filme, diz Lee, é mais do que rejuvenescer Smith digitalmente:

— Não o estamos envelhecendo — diz o diretor de 64 anos. — Prefiro pensar que estamos criando um novo personagem, um jovem Will Smith. O mais complicado, no fim, é o fato de que Will, hoje, é um ator muito melhor do que há 30 anos.

O ator conta que o diretor não teve pudores ao revisitar cenas do Will do passado e apontar: “Veja, assim não! Preciso que você faça desse outro jeito”:

— Pude ver com ele as tragédias que já cometi na indústria do entretenimento. Mas aí também falei com o Ang: “Querido, agora você me deu de presente um avatar jovem, vamos deixar ele trabalhar um pouco, né?” Será que podemos fazer dois filmes ao mesmo tempo e eu ganhar o dobro?

Câmera com vida própria

Bill Westenhofer, supervisor de efeitos especiais do filme, e Guy Williams, o especialista da Weta, empresa neozelandesa criada para fazer a trilogia “O senhor dos anéis”, explicam que Junior representa um “divisor de águas”, tanto por ter muito tempo de tela quanto por exigir de Smith um passeio por emoções de um jovem com menos da metade de sua idade hoje.

Smith conta, no set, pouco antes de protagonizar uma cena de ação noturna com direito a tiros, quedas e fogos, que não era, no entanto, como se tivesse de atuar em dobro, mas sim por três: ele, ele mais jovem e um aparato na cabeça com câmera instalada “quase com vida própria”.

Quando Henry e Junior estavam na mesma cena (conversando ou, em muitos casos, lutando), a solução era se filmar em dois tempos. Westenhofer, o supervisor de efeitos especiais que trabalhou com Lee em “As aventuras de Pi”, explica:

— Para cenas em que os dois estão contracenando, tivemos um dublê para o personagem jovem. Posteriormente, a mesma cena era recriada, agora com Will interpretando o personagem jovem. Muitas vezes, precisamos substituir o corpo dele com uma versão digital.

Uma dificuldade adicional em “Projeto Gemini” foi o fato de que o filme foi rodado em 120 quadros por segundo, como “Billy Lynn”.

— A dificuldade de filmar em 120 quadros por segundo foi muito maior para um personagem digital – acrescenta o produtor Jerry Bruckheimer, da série “Transformers” que cultivava há décadas o sonho de levar essa história ao cinema. — É muito mais nítido, todos os poros e detalhes, e em 3D.



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