Quinta feira, 17 de outubro de 2019 Edição nº 15324 10/10/2019  










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Um True detective feminino e de fato real

Inacreditável traz performances precisas ao contar a história de estupros investigados por policiais mulheres

Da Folhapress – São Paulo

A história real por trás da minissérie “Inacreditável”, da Netflix, é um exemplo quase perfeito da narrativa dos programas de true crime. É ao mesmo tempo um horror e empolgante, de maneira que provavelmente deixará o público chocado e satisfeito até o fim. A história, envolvendo uma série de estupros em Washington e no Colorado, entre 2008 e 2011, foi contada em uma reportagem vencedora do Prêmio Pulitzer. Portanto, não é de surpreender que os criadores de “Inacreditável” a tenham usado como modelo para suas narrativas ficcionais.

A série adota a estrutura de duas vias do texto original, movendo-se entre a triste e enfurecida história de Marie (Kaitlyn Dever), uma jovem de 18 anos de Washington que, sob pressão da polícia, lembra como foi estuprada, e um relato pulsante da investigação de uma série de agressões sexuais três anos depois, no Colorado.

As ligações entre os casos são descobertas através de um golpe meio estranho de sorte e do trabalho obstinado de duas detetives, interpretadas por Merritt Wever e Toni Collette.

Pode-se ver que os novos ataques estão ligados ao estupro de Marie (e, portanto, imagina-se que resolver o caso dela os impediria) e então são os oito episódios antecipando que alguém na tela também perceberá. É uma estrutura infalível, e nas mãos experimentadas dos criadores, carrega “Inacreditável” com facilidade. Como mistério, a série é tensa e cativante, e seus múltiplos desencontros acontecem com uma mistura criteriosa de celebração e arrependimento.

JUSTIÇA E IGUALDADE

Obviamente, o mesmo aconteceu com a reportagem original, que, com 12 mil palavras, pode ser lida em consideravelmente menos tempo do que o necessário para assistir à série. E ao expandir e dramatizar a história, nem todas as opções são igualmente bem-sucedidas.

Quando tratam de questões maiores, esclarecidas pelo caso de Marie — o pouco crédito dado ao relato de uma vítima de estupro, a pouca representação de mulheres entre os detetives que investigam estupros —, os autores da reportagem, Ken Armstrong e T. Christian Miller (que recebem créditos de produção) geralmente deixam os eventos falarem por si. “Inacreditável” fica próxima ao tom reservado da reportagem, mas parece menos confiante no fato de que o espectador vai absorver as lições sobre justiça e igualdade, de vez em quando colocando um discurso sobre isso na boca dos personagens.

O espectador pode considerar essa ênfase uma validação da importância do programa, mas o drama acaba prejudicado. Há também o desafio de caracterizar Marie e as duas detetives, aqui chamadas Grace Rasmussen (Collette) e Karen Duvall (Wever), para além dos fatos.

Criada em orfanatos, Marie, depois de estuprada, é desconsiderada por supostamente ter mentido e acusada criminalmente por falso testemunho. Apesar de mais bem construída no texto original, ela continua sendo uma personagem complexa e intrigante, interpretada com uma espécie de delicadeza intransigente por Kaitlyn Dever.

Há mais uma história por trás: a liderança feminina, que, novamente, é incorporada aos temas gerais do programa, mas não acrescenta muito além de fácil sentimentalismo às apostas dramáticas. E, a serviço do tema, o personagem da detetive mais velha, Rasmussen, exibe uma mistura de profissionalismo veterano e um desejo raivoso de burlar regras que não combinam.

O espectador pode superar algumas inconsistências e uma piedade supérflua, no entanto, pelo puro encanto da história e pela força geral das performances. Toni Collette e Merritt Wever, duas das melhores atrizes do mundo, são ótimas juntas; a emoção derretida, mas rigidamente controlada de Toni ricocheteia nos modos reservados mas igualmente expressivos de Merritt.

Ao longo da série, atores incríveis aparecem e reaparecem em papéis menores: Annaleigh Ashford e Danielle Macdonald como vítimas de estupro; Nick Searcy como um policial exasperado; e Bridget Everett e Brent Sexton como ex-pais adotivos de Marie.

E para todo momento rotineiro ou sentimental, há uma cena que cresce. A maioria dos melhores momentos é simples, como as reações pensativas de Duvall a novas informações: choque, tristeza ou emoção.



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