Sexta feira, 20 de setembro de 2019 Edição nº 15304 12/09/2019  










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Funcionários dos Correios paralisam as atividades

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Os funcionários dos Correios paralisaram as atividades por tempo indeterminado, em Mato Grosso. A categoria é contra a privatização da estatal prevista no plano de desestatização do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Eles defendem ainda os direitos conquistados em anos de lutas, os salários, os empregos e a realização de concurso público. Pelo menos 30% dos serviços são mantidos, mas aproximadamente a entrega diária de 100 mil correspondências e encomendas fica comprometida no Estado.

“A empresa se retirou da mesa de negociação e hoje direitos do acordo (2018/2019) como vale alimentação podem ser suspensos a qualquer momento. Mas, a greve é principalmente contra a privatização anunciada pelo governo. A privatização vai prejudicar tanto a população como os trabalhadores. No país, são mais de 100 mil pais e mães de famílias que vão ficar desempregados”, afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios, Telégrafos e Serviços Postais em Mato Grosso (Sintect-MT), Edmar Leite.

Com o movimento, todos os serviços dos Correios devem ser afetados. Conforme Leite, o retorno das atividades está condicionado ao recuo do governo e a retirada dos Correios de programa de privatização, além do fortalecimento e investimento na empresa pública e a realização de concurso público. “E, é claro, a manutenção do nosso acordo coletivo”, cobrou.

A categoria entende que, com a privatização, boa parte da população, especialmente, a que vive na região periférica, não terá acesso ao serviço universal prestado pelos Correios. “Porque as empresas privadas só vão estar presentes aonde dá lucro. Então, as pequenas cidades, que são a maioria, não terão os serviços dos Correios”, avalia o presidente do Sintect-MT.

Segundo ele, atualmente, os Correios público estão presentes em mais de 5.200 municípios brasileiros, sendo que desses somente 324 agências dão lucro, mas cobrem o prejuízo do restante do país. “Ainda assim, a empresa é lucrativa e cumpre o seu papel social. Com o Correios privatizado, a população vai ser prejudicada sobremaneira por que as tarifas aumentam e os serviços pioram”, afirmou. “É importante registrar que nós temos consciência que os serviços hoje não são têm a mesma qualidade que tinha há 10 ou 15 anos atrás, mas isso não é culpa dos funcionários, mas justamente de uma política de sucateamento impostas pelos últimos governos, desde o FHC (Fernando Henrique Cardoso), que vieram sucateando os Correios para hoje a população pensar que hoje a saída é privatizar os Correios”, acrescentou.

Nesse sentido, Leite lembra que a estatal não realiza concurso público desde 2011. “A medida que as cidades crescem o número de funcionários diminui. Em Mato Grosso, nós já fomos 1.700 trabalhadores e, hoje, somos em torno de 1.200. Então, houve uma política deliberada de acabar com o concurso público e de retirar o transporte aéreo de cargas. Hoje, o serviço é praticamente todo feito via terrestre e, por isso, o Sedex demora até 10 dias para chegar”, comentou.

Para alertar sobre as consequências da medida, os trabalhadores elaboraram uma carta que está sendo distribuída à população com alguns questionamentos e respostas do tipo: Você sabia que nas encomendas a concorrência já é aberta e mesmo assim os Correios é líder? Que as grandes empresas privadas repostam as encomendas nos Correios para conseguir entregar? Que o serviço é bem mais caro e que o sigilo das correspondências estará em risco com as empresas privadas? Que são os Correios que entregam Vacinas, livros didáticos e provas do Enem em todo Brasil? Que os Correios fazem ágeis campanhas de arrecadação de aleitamento materno e também de doações de alimentos, roupas e agasalhos em catástrofes, como a de Brumadinho? Que em muitas pequenas cidades os Correios são o único agente bancário, com o Banco Postal?



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