Sexta feira, 20 de setembro de 2019 Edição nº 15303 11/09/2019  










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Filho de Bolsonaro cria nova polêmica

Por vias democráticas, País não terá transformação rápida, diz Carlos Bolsonaro; Mourão contrapõe fala: Democracia é fundamental

Da AE – São Paulo

O vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, usou o Twitter nesta segunda-feira, 9, para dizer que "a transformação que o Brasil quer" não acontecerá na velocidade almejada por "vias democráticas".

"Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos... e se isso acontecer", escreveu Carlos. "Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes."

Na mesma sequência de mensagens, o vereador escreve que o governo federal vem "desfazendo absurdos" e tenta "recolocar nos eixos" o País. Ele reclama que os "avanços (são) ignorados e os malfeitores esquecidos".

A publicação foi seguida de outra mensagem, em que o filho do presidente diz que está "tranquilo" como o pai e que "o poder jamais me seduziu".

PREOCUPAÇÃO - No Palácio do Planalto, dois auxiliares do presidente disseram, sob a condição de anonimato, que o que Carlos fala não se escreve. Um ministro chegou a afirmar que a postagem do vereador "é uma maluquice".

Nos bastidores do governo, no entanto, há preocupação com interpretações que mensagens assim podem passar no momento em que Bolsonaro tenta recuperar popularidade. Mesmo interlocutores do presidente que tentaram amenizar o post de Carlos admitiram que as afirmações têm viés autoritário.

OPOSIÇÃO - O deputado Paulo Pimenta (PT) comparou a fala de Carlos a um trecho de entrevista concedida por Jair Bolsonaro ao programa Câmera Aberta em 1999 em que ele diz que fecharia o Congresso se fosse presidente e critica duramente o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), reeleito um ano antes.

Na entrevista de 1999 citada pelo deputado opositor, Bolsonaro havia dito que não acreditava em solução por meio da democracia. "Através do voto você não vai mudar nada nesse País", disse.

"Daria golpe no mesmo dia (se eleito presidente)! Não funciona! O Congresso hoje em dia não serve pra nada, só vota o que o presidente quer. Se ele é a pessoa que decide, que manda, que tripudia em cima do Congresso, dê logo o golpe, parte logo para a ditadura", disse o então deputado.

LICENÇA - O vereador Carlos Bolsonaro pediu licença não remunerada na Câmara Municipal do Rio. O motivo não foi informado, assim como o prazo em que o vereador ficará ausente do Legislativo Municipal. A licença foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira, 10.

PORTA VOZ - Ao ser questionado sobre uma postagem de Carlos Bolsonaro no Twitter, em que o filho do presidente afirma que a transformação que o Brasil quer não virá por vias democráticas, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse que "o que é tuitado nas redes sociais pessoais é de responsabilidade de quem o fez". "Nosso foco é a recuperação do presidente", acrescentou, durante coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira, 10.

"Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos... e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!", escreveu nesta segunda no Twitter o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC).

O porta-voz afirmou não saber se o presidente Jair Bolsonaro tomou conhecimento do tuíte ou se comentou sobre o assunto. "Acredito que o vereador tenha conversado sim com o presidente da República", disse Rêgo Barros.

Ainda segundo o porta-voz, Carlos Bolsonaro, assim como a primeira-dama Michelle Bolsonaro, estão como acompanhantes do presidente no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde Bolsonaro se recupera de uma cirurgia realizada no domingo para correção de uma hérnia incisional.

"O velho passa bem, tomou uma ducha agora pouco e a recuperação vai muito bem após mais uma cirurgia em virtude de tentativa de assassinato por ex-membro do PSOL", escreveu Carlos há pouco no Twitter, em referência a Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou o presidente há um ano.

MOURÃO - O presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou que as declarações do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) são "problema dele". Em contraponto ao filho do presidente Jair Bolsonaro, Mourão defendeu que a democracia é "fundamental" e que é "lógico" que é possível fazer mudanças no País por meio do diálogo com o Congresso.

"Lógico, senão a gente não tinha sido eleito", disse Mourão ao ser questionado se é possível fazer as mudanças que o governo quer por vias democráticas. "Temos que negociar com a rapaziada do outro lado da Praça (dos Três Poderes). É assim que funciona. Com clareza, determinação e muita paciência", afirmou.

Ontem, nas redes sociais, Carlos disse que por meios democráticos não haverá as mudanças rápidas desejadas no País. Perguntando diretamente sobre a fala do vereador, Mourão respondeu: "Carlos Bolsonaro, vocês perguntam para ele". "Isso é problema dele, pergunte a ele", reagiu sobre o fato de Carlos ter dado entendimento contrário.

Mourão foi questionado sobre o assunto na entrada do Palácio do Planalto, onde continua despachando do gabinete da vice-presidência na ausência de Bolsonaro. Ele deve permanecer interinamente no cargo até quinta-feira, 12.

"(A democracia é) Fundamental, são pilares da civilização ocidental. Vou repetir para você: pacto de gerações, democracia, capitalismo e sociedade civil forte. Sem isso, a civilização ocidental não existe", declarou o vice aos jornalistas.



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