Terça feira, 10 de dezembro de 2019 Edição nº 15284 15/08/2019  










ARNO SCHNEIDERAnterior | Índice | Próxima

Boas perspectivas para o agro

Até pouco tempo atrás, os congressos e palestras promovidas por qualquer setor do agro, incluía no seu título a intensificação. De alguns anos pra cá, adicionaram a preservação ambiental.

Os partidos verdes no mundo inteiro estão cada vez mais fortes e conquistando governos, com adesões principalmente de jovens.

Em princípio, um ambientalista é um cara bonzinho, mas às vezes defendem teses irracionais guiados por desconhecimento, ideologia ou interesses comerciais.

De qualquer modo, racionais ou não, as pressões ambientais não terão volta, com tendência de aumentarem cada vez mais.

A demanda mundial por alimentos deverá crescer muito nas próximas décadas, tanto pelo aumento populacional, como pela inserção de bilhões de pessoas no mercado consumidor, principalmente pelos países asiáticos.

O Brasil explora atualmente 75 milhões de hectares com agricultura e 140 milhões com pastagens. Precisamos e podemos inverter essa estatística.

É bem possível que em 10 ou 15 anos possamos duplicar a nossa produção sem a necessidade de desmatar nenhum hectare. Este espetacular aumento não virá somente pelo incremento da produtividade. Virá principalmente pela inclusão de áreas de pastagens que tenham aptidão agrícola.

O arrendamento de um hectare de pasto para agricultura produzirá três a quatro vezes mais renda que a pecuária. As fazendas duplicarão ou triplicarão de valor. Os pecuaristas não vão resistir a estas pressões e acabarão capitulando. Isso, nestas proporções, é uma condição (única) só existente no Brasil.

Qualquer aumento de produção terá que ser destinado à exportação, pois o mercado interno está abastecido. Para sermos competitivos com outros países exportadores teremos que atender a alguns requisitos.

Em primeiro lugar, temos que produzir mais barato que nossos concorrentes. Num país tropical onde podemos produzir duas ou três safras anuais, mantendo fixos os custos de mão de obra, maquinário e administração, dificilmente outro país poderá concorrer em preço conosco.

Em segundo lugar, precisamos produzir com sustentabilidade ambiental para atender as crescentes pressões internas e externas. Já somos reconhecidos pela FAO como o país que mais produz alimentos em relação ao uso da terra. O plantio direto, invenção nossa, é internacionalmente reconhecido como a jóia da sustentabilidade da produção agrícola brasileira. Novos desafios ambientais serão superados mediante cultivos e criações em sistemas de integração pesquisados pela Embrapa.

Temos também que oferecer ao mercado produtos de qualidade e com segurança alimentar, condições que tem muito a ver com defensivos agrícolas, hoje muito criticados. Antes, preço e eficiência falavam mais alto. Hoje nada será aprovado pela Anvisa se não houver avanços em relação à proteção ambiental e saúde humana.

Para retirar os defensivos mais nocivos é preciso liberar os novos, menos poluentes. Quem realmente está preocupado com o meio ambiente deveria criticar o governo pela demora e não pela agilidade de aprovar novas moléculas.

Temos noção total das pressões ambientais que estão ocorrendo e da influência delas nos mercados. Felizmente a renovação e a evolução do agro em todos os aspectos são constantes.

É razoável prever que duplicando nossa produção de alimentos, teremos condições de atender as demandas internacionais sem abrir mão da necessária preservação ambiental.



* ARNO SCHNEIDER, engenheiro agrônomo e pecuarista



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