Sábado, 18 de janeiro de 2020 Edição nº 15283 14/08/2019  










CHRISTIANE CAETANOAnterior | Índice | Próxima

Pantanal: no olhar da conexão

Já fazia uma hora que eu estava sentada na mesma posição, as pernas dormentes, os mosquitos que não davam trégua. No ponto de desistir daquele comportamento mimético que nos pretendia fazer passar despercebidos na vastidão do Pantanal, eis que aparece o passarinho, aquele serzinho pequeno, colorido e com um bater de asas apressado. Durante eternos segundos nem respirávamos para não espantar o exemplar que era alvo dos nossos desejos e mira das lentes. Esse instante fazia valer cada minuto de desconforto porque era a prova da grandeza da biodiversidade e da beleza exuberante de uma região com tanto ainda a ser descoberto.

Foi assim, acompanhando a imprensa nacional e as expedições de fotógrafos como Haroldo Palo Jr., que tive a oportunidade de conhecer o Pantanal de Mato Grosso. Era final da década de 1990 e o Sesc tinha acabado de adquirir as primeiras áreas para implantar a RPPN que hoje é a maior reserva privada do patrimônio natural do país, com 108 mil hectares muito bem conservados.

Naqueles momentos permeados de camuflagem eu jamais poderia imaginar que vinte anos depois estaria morando em Mato Grosso e a frente de uma instituição tão importante quanto o Sesc Pantanal. Mas dali, daquelas horas de intensa observação, eu entendi com clareza o que deveria ser a base de todos os projetos que desenvolvemos: conexão.

O que começou como um projeto ambiental se expandiu para uma unidade em Poconé, porque não adianta conservarmos uma área natural se não proporcionarmos o desenvolvimento social, cultural e econômico para as pessoas que habitam a mesma região.

A unidade Sesc Poconé atendeu, em 2018,mais de 21 mil pessoas nas mais diversas atividades de esporte e lazer, com oficinas, cursos profissionalizantes, apresentações culturais e atendimentos de saúde.

Depois de estabelecer a área da reserva, também criamos uma das mais importantes unidades de turismo responsável do país, o Hotel Sesc Porto Cercado, que recebeu 33 mil turistas ano passado para visitar o Pantanal e apreender sobre esse ecossistema. Sem contar as unidades do Parque Sesc Baía das Pedras, que desenvolve atividades recreativas numa área de mais de 4 mil hectares e é base de pesquisas avançadas; e o Parque Sesc Serra Azul, focado em turismo de aventura e que abriga a nascente de um dos mais importantes rios que compõem o Pantanal.

A RPPN conserva o território, amplia o conhecimento científico e garante a preservação de centenas de espécies animais e vegetais. O Hotel e os Parques difundem a riqueza do Pantanal através de um turismo que propõe tornar os visitantes multiplicadores de conhecimento. O Sesc Poconé promove o desenvolvimento da comunidade no entorno. Todas as unidades contratam mão-de-obra, adquirem produtos, alimentos e artesanato de produtores e artistas locais. É assim que esse sistema se constitui como uma rede poderosa que interliga natureza e ser humano.

Essa é a conexão que nos torna, com muito orgulho, um polo de desenvolvimento socioambiental.

De lá, das minhas experiências desbravadoras, eu trouxe um respeito enorme pelo poder da natureza. Daqui, da minha posição como gestora, carrego a grande responsabilidade de fortalecer e levar adiante esse projeto. Porque quando as lentes mostram os resultados, a gente vê que cada minuto de esforço e trabalho vale a pena.



* CHRISTIANE CAETANO é superintendente do Sesc Pantanal, instituição ligada ao Departamento Nacional do Sesc

lumil.jor@gmail.com



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