Quarta feira, 22 de janeiro de 2020 Edição nº 15265 19/07/2019  










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A Divisão estreia hoje na Globoplay

A Divisão vai contar bastidores da força-tarefa que combateu sequestros no Rio

MARCELA PAES
Da Folhapress – São Paulo

Mostrar os bastidores de uma história conhecida é a ideia da série "A Divisão", que estreia nesta sexta-feira (19) no Globoplay, serviço de vídeo sob demanda da Globo. Com um elenco de estrelas globais, o seriado policial revela como a onda de sequestros que aterrorizou o Rio de Janeiro em 1997 foi combatida pela DAS, a Divisão Antissequestro da Polícia Civil do Rio.

"Todo mundo sabe que os sequestros acabaram no Rio, mas ninguém sabe como. Existe um bastidor que nunca foi revelado, e nós mostramos isso", afirma José Junior, criador da série e fundador da ONG Afroreggae -"A Divisão" é uma produção do Multishow em parceria com o braço audiovisual da ONG, com direção de Vicente Amorim.

Protagonizada por Silvio Guindane e Erom Cordeiro, a série usa como fio condutor a ação de dois policiais: o honesto e violento Mendonça (Guindane) e o corrupto e inteligente Santiago (Cordeiro). Completam o elenco os atores Marcos Palmeira, no papel de Benício, chefe da polícia; Natalia Lage, como a policial Roberta; e Dalton Vigh como Venâncio, um deputado em campanha para o governo do estado.

O personagem de Erom é inspirado na história do ex-inspetor José Luiz Magalhães, que é um dos roteiristas da série. "Conhecer o Magalhães me deu muitas ferramentas de observação. Ajudou na composição do personagem", afirma Erom.

Os atores passaram por treinamentos com a polícia e também estiveram em comunidades. "O fuzil virou quase uma extensão do meu corpo. Era um elemento que não podia ficar artificial", revela Guindane.

A equipe também presenciou encontros entre policiais e ex-sequestradores -alguns inclusive foram presos pelos próprios agentes com quem se encontraram. De acordo com o diretor, os encontros foram fundamentais para a construção dos personagens.

"Quando o José Junior me falou sobre a história, eu vi que tinha que conhecer as pessoas que fizeram aquilo e pedi que ele me apresentasse a elas. O processo trouxe uma riqueza enorme para os personagens", diz Amorim. "O assunto faz parte da vida dessas pessoas, mas elas não sabem como funciona uma ação policial, como é uma entrada no morro", completa.

GÊNERO POLICIAL NO BRASIL

Na avaliação de José Junior, o mercado audiovisual brasileiro ainda não conseguiu atingir um grau de excelência no gênero policial, com exceção dos filmes "Cidade de Deus" (2002) e "Tropa de Elite" (2007). Para o produtor, "A Divisão" tem a autenticidade que falta em outros produtos brasileiros do gênero.

"Não gosto da maioria das coisas que eu vejo atualmente. A vida real não é a Disneylândia, o mocinho não beija a mocinha no fim. Os personagens da série são complexos assim como as pessoas que os inspiraram", afirma.

Apesar de conviver há muitos anos com "traficantes, bandidos e policiais", José Junior conta que se impressionou com histórias que ouviu durante o processo de elaboração da série.

"As pessoas não são totalmente más ou boas. Nem os bandidos, nem os policiais. Claro, ouvi histórias horríveis de tortura em cativeiro, mas também vi policiais que deixaram de passar o Natal com a família para investigar casos."

A escolha de Silvio Guindane para o papel do delegado Mendonça foi uma estratégia, diz José Junior. Para ele, é preciso colocar negros em papéis em que eles possam ser chamados de doutor. "Falta representatividade em todas as áreas do audiovisual. Fiz de propósito, claro. O Afroreggae seria chamado de brancoreggae se essa não fosse a minha intenção. Normalmente, se o filme é na favela, o vilão é preto. Não dá pra ser assim", diz.

Guindane concorda. Ele diz que ainda existe um estereótipo dos personagens interpretados por negros e afirma que a diversidade de papéis é importante. "Não podemos ver negros só interpretando escravos, em favelas, como bandidos."

Para José Junior, o público vai se identificar com a série porque ela é "autêntica e real". "Não estou nem aí para críticas. Eu quero é que as pessoas assistam."



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