Terça feira, 10 de dezembro de 2019 Edição nº 15264 18/07/2019  










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Cabo acusa Gaeco de usar grampos ilegais

Cabo Gerson detalhou o envolvimento de promotores Gaeco no esquema que ficou conhecido como Grampolâdia Pantaneira


KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

Em depoimento prestado junto à 11ª Vara Militar de Cuiabá, o cabo da Polícia Militar, Gerson Correa, detalhou o envolvimento de promotores do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) no esquema que ficou conhecido como Grampolâdia Pantaneira, onde diversas pessoas foram interceptadas ilegalmente.

De acordo com ele, ao menos 15 operações deflagradas por este setor do Ministério Público Estadual (MPE), se basearam em escutas clandestinas, denominada barriga de aluguel, que é quando números de telefones são inseridos em investigações adversas.

Durante o seu reinterrogatório, realizado na tarde desta quarta-feira (17), Gerson entregou uma série de documentos ao juiz Marcos Faleiros, que comprovam a acusação.

A primeira operação citada pelo cabo foi a Metástase, deflagrada em 2015 para desarticular um esquema de desvio de verbas na Assembleia Legislativa.

De acordo com ele, houve barriga de aluguel na investigação a mando dos promotores Marco Aurélio e Samuel Frungilo. Ele garante que na operação em questão foi usada a central de escutas montadas pela PM para interceptar a deputada estadual Janaina Riva (MDB). A intenção era averiguar se ela dava continuidade aos esquemas de corrupção comandados por seu pai, o ex-deputado José Riva.

Além da parlamentar, outros membros da família Riva também foram grampeados na ocasião. “Foi feita pesquisa através de barriga de aluguel, pego uma decisão que nada tinha a ver com a Metástase e inseridos números da família Riva”, enfatizou.

Outras Operações que teria se utilizado de escutas clandestinas foram a Arqueiro e Ouro de Tolo. Segundo ele, o Gaeco interceptou diversos servidores da Secretaria de Trabalho e Assistência Social (setas) para chegar a então secretária Roseli Barbosa.

Além disso, familiares da então secretária também foram grampeados no âmbito da mesma investigação. “Elementos coletados anteriormente e informações obtidas de forma seletiva depois subsidiaram o pedido de prisão contra Roseli Barbosa na Operação Ouro de Tolo. Ela e toda a família foram interceptados. Roseli era alvo do Gaeco de forma reflexiva por meio dos secretários. E com esses elementos robustos da Operação Arqueiro ela virou alvo de prisão, busca e apreensão e aditamento de denúncia com elementos obtidos ilegalmente lá atrás”, contou.

Com a deflagração da Operação, o integrante da Polícia Militar afirma que houve um "terremoto dentro do Gaeco", porque vários diálogos da família Barbosa causaram espanto e repulsa nos membros do Ministério Público, o que levaram ao vazamento, de forma dolosa, de alguns áudios.

O cabo Gerson também cita a prática de “barriga de aluguel” em outras operações do Gaeco, tais como a Rêmora, Imperador, Aprendiz e Seven. Para ele, alguns membros do Gaeco fizeram de algumas operações verdadeiros “shows de pirotecnia”.

Conforme o militar, resultados de determinadas investigações conduzidas pelo Grupo foram exploradas de forma midiática resultado em ilegalidades por remeter a crimes como injuria, invasão de privacidade, uso indevido de direito de imagem. ] "Essas pessoas tiveram seus direitos vilipendiados por membros do Gaeco que em seu íntimo queriam macular essas pessoas por condutas contrárias ou posições políticas divergentes", afirma Gerson.

Como exemplo, ele cita a Operação e Imperador, que culminou na prisão do ex-deputado Riva. Na oportunidade, o ex-parlamentar foi gravado por membros do Gaeco no momento em que os agentes invadiram a sua residência para cumprir o mandado de prisão e de busca e apreensão.

O cabo disse que as gravações foram usadas indevidamente e de forma dolosa divulgados para a imprensa. A exposição indevida, segundo Gerson, era feita por ordem de Marco Aurélio Castro. "Essas pessoas tiveram seus direitos vilipendiados por membros do Gaeco que em seu íntimo queriam macular essas pessoas por condutas contrárias ou posições políticas divergentes", afirma.

No depoimento, o cabo Gerson ainda voltou a afirmar que os cabeças de todo o esquema de interceptações telefônicas ilegais foram o ex-governador Pedro Taques (PSDB), e seu primo, o ex-secretário chefe da Casa Civil Paulo Taques.

De acordo com ele, pelo menos 120 terminais telefônicos foram grampeados ilegalmente em Mato Grosso antes e durante a gestão do ex-governador Pedro Taques (PSDB).



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