Quarta feira, 21 de agosto de 2019 Edição nº 15262 16/07/2019  










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PMs farão reinterrogatório hoje na Justiça

11ª Vara Criminal Militar da Capital realiza hoje reinterrogatório de militares envolvidos no escândalo

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KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

Em meio à polêmica envolvendo a rejeição das delações premiadas de três militares envolvidos no esquema de interceptações telefônicas ilegais, a 11ª Vara Criminal Militar da Capital realiza nesta terça-feira (16) o reinterrogatório dos integrantes da Polícia Militar de Mato Grosso no âmbito da ação penal que tramita na Justiça Militar.

A pedido da defesa, serão ouvidos novamente os coronéis Evandro Lesco e Zaqueu Barbosa, assim como o cabo Gerson Corrêa Junior. Todos tentaram firmar delação premiada junto ao Ministério Público Estadual (MPE), mas os acordos foram negados pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco Criminal).

O procurador Domingos Sávio de Barros Arruda, responsável pelo Naco alega que as delações foram negadas devido ao fato de nenhum dos investigados terem apresentado fatos novos.

“Se não for trazer informações novas, com o mínimo de prova, fica muito fácil para o criminoso... se fosse assim seria uma desmoralização da Justiça penal”, colocou.

Acontece que, os fatos narrados pelos militares, na tentativa de concretizar o acordo de delação com o órgãos ministerial, gerou polêmica e, até um mal estar no MPE, uma vez que citou a suposta participação de promotores de justiça no esquema que ficou conhecido como “Grampolândia Pantaneira”.

Em procedimento administrativo interposto pela defesa do cabo Gerson junto ao Ministério Público, onde foi solicitada a realização do acordo, o militar relata nove fatos que apontam a participação de membros do órgão no esquema de interceptações telefônicas ilegais.

Dentre os elementos apresentados por Gerson está o suposto envolvimento dos promotores Marco Aurélio de Castro e Samuel Frugilo no esquema da Grampolândia Pantaneira.

Conforme o cabo, o número do telefone da deputada Janaina Riva (MDB) foi interceptado por meio de "barriga de aluguel" na Operação Metastase, deflagrada em 2015, a pedido dos membros do Ministério Público.

O PM afirma que, a intenção dos promotores era averiguar se a parlamentar estava dando continuidade nos esquemas operados por seu pai, o ex-deputado José Riva, no âmbito da Assembleia Legislativa.

Além disso, Gerson ainda descreveu a existência de uma suposta “manipulação seletiva de áudios e vídeos” em operações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), bem como omissão de resultados de auditoria do sistema Guardião, o qual é utilizado pelo Ministério Público para realização de interceptações telefônicas no âmbito de investigações do órgão.

O cabo PM também aponta uma suposta “verba secreta” que teria beneficiado o Gaeco. Além destes fatos, Gerson Correa relata a existência de um suposto conluio entre promotores e procuradores de Justiça, e juízes do Poder Judiciário Estadual, em escutas ilegais realizadas nas operações “Metástase”, “Arqueiro” e “Ouro de Tolo”.

O integrante da PM de Mato Grosso afirma que não revelou esses fatos durante a instrução processual da ação penal que tramita na 11ª Vara Criminal de Cuiabá, “por receio de morte como retaliações funcionais”.

No despacho em que nega o pedido de delação, entretanto, o procurador Domingos Sávio afirma que o cabo não trouxe informações, e ainda aponta uma série de contradições

“Diante disso pergunta-se: como celebrar um negócio jurídico com o requerente se, ao final e ao cabo, os elementos por ele trazidos não terão resultado útil algum em eventual Ação Penal? Por que seria interessante ao Ministério Público concordar com a concessão de um benefício ao delator, prestes a ser condenado, em vista do pouco - e inverossímil - que por ele é oferecido?”, questionou o procurador.

O esquema conhecido com “grampolândia pantaneira” funcionava por meio da chamada “barriga de aluguel”, quando números de pessoas que não têm qualquer relação com investigações policiais são inseridos de maneira disfarçada.

Neste processo, além de Gerson também são réus o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa; os coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, respectivamente; o coronel Januário Batista; e o cabo Gérson Correa Júnior.



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