Domingo, 17 de novembro de 2019 Edição nº 15249 27/06/2019  










RENATO DE PAIVA PEREIRAAnterior | Índice | Próxima

Desse mato não sai coelho

Não votei no Presidente Bolsonaro, mas não condeno os que o elegeram. Naquela ocasião ele era um único candidato que tinha condições de derrotar o PT, como de fato o fez. Oh Glória!

Entretanto, tristemente descubro que a opinião que tinha dele no período pré-eleitoral piorou, se é que havia espaço para isto. Já sabíamos através dos jornais que ele foi um militar polêmico, característica muito apreciada no meio sindical, mas rejeitada no exército onde reina a disciplina.

Também sua obscura atuação parlamentar teve somente três destaques: a briga com o Big Brother Jean Wyllys que foi embora para curtir boa vida na Europa, não sem antes deixar-nos seu suplente David Miranda, que anda fazendo sucesso junto com o namorado Greenwald, divulgando na internet dados roubados do Ministério Público.

Depois vem a inoportuna homenagem do capitão/deputado ao Coronel Brilhante Ustra durante o processo de impeachment da petista Dilma. Em seguida ficamos sabendo das inconvenientes agressões verbais à deputada Maria do Rosário, pelas quais teve que pedir desculpas publicamente.

Este pequeno histórico da vida militar e parlamentar do Presidente já não autorizava esperar muito dele, mas uma série de citações durante a campanha eleitoral sinalizava que podia piorar. Entretanto o desempenho parlamentar e o discurso belicoso da campanha não conseguiram nos preparar para a realidade que viria, bem pior que a imaginada.

Se ele se preocupou no começo do governo em liberar armas para os cidadãos é aceitável, porque isto prometera aos seus eleitores. Se insistiu em tirar quadros do PT da administração pública não há o que condenar, pois para isto foi eleito. Mas o povo, creio, não contava com a nefasta influência dos seus filhos no governo. Pior ainda, o país ficou conhecendo o astrólogo “americano” Olavo de Carvalho, guru da família Bolsonaro e responsável, junto com os filhos, por algumas demissões do governo entre elas o Bebiano e o General Santos Cruz.

Mas o pior de tudo é que está claro nesses poucos meses de governo que o Presidente não tem a menor vocação para o cargo. Ele ainda não aprendeu que a liturgia presidencial não está restrita às cerimônias públicas e às visitas protocolares que recebe ou faz.

A última profanação da liturgia foi a declaração pública do Presidente de que estava saturado com as atitudes do presidente do BNDES, Joaquim Levy. Claro que ele podia demiti-lo, mas, definitivamente, não daquela forma. Se não pelo respeito que devemos ter com todos, ao menos para evitar o estrago que tais atitudes trazem para a economia do país.

Estou convencido de que o Presidente seguirá nessa linha de governar aos solavancos até o final do mandato. Ele é assim mesmo, e como já passou dos 60 anos de idade defeitos e virtudes já estão totalmente cristalizados, para o bem e para o mal.

Três ditos populares para encerrar: como “burro velho não pega marcha”, é melhor “tirar o cavalo da chuva” porque “desse mato não sai coelho”.



* RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor

renato@hotelgranodara.com.br



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