Sexta feira, 19 de julho de 2019 Edição nº 15249 27/06/2019  










ALECY ALVESAnterior | Índice | Próxima

Investigação materna

A dependência química, especialmente do álcool e outras drogas como cocaína e crak, está entre os caminhos mais rápidos, talvez o principal, à destruição de seres humanos. Destruição de quem faz uso e daqueles com os quais os usuários convivem – pais, cônjuge, filhos e irmãos.

Na condição de mãe, mesmo sem viver a realidade de quem enfrenta esse drama, tenho às drogas como grande preocupação e um dos maiores males da humanidade. Já testemunhei e reportei histórias em que a luta contra a dependência fugiu ao controle do usuário e das famílias, se tornaram casos de polícia.

Também digo na condição de irmã que há décadas enfrenta o dia a dia de um dependente, um trabalhar que foi incapacitado por causa dos danos físicas e psicológicas do consumo abusivo do álcool, em que pese a batalha e recursos usados no tratamento.

É! O álcool, isso mesmo, essa droga tão socialmente aceita por nós e que a cada dia mais se torna o ponto de partida e o argumento de milhares de casos de violência doméstica e de desestruturação familiar.

Ontem, 26, Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas, ouvi e assisti diversos discursos e reportagens sobre tema.

Também foi um dia em que relembrei, sem nenhuma culpa, das minhas investigações maternas. Alguns, talvez muitos, diriam invasão de privacidade, mas eu prefiro precaução, atenção, cuidado, amor...

Da época em que verificava o que os filhos carregavam em suas mochilas e bolsas escolares. Fazia isso especialmente quando chegavam em casa, mas também ocorria enquanto estavam se preparando para sair e durante a faxina dos seus quartos. Sempre longe dos olhos deles, claro.

Eu pensava: se descobrir algo estará em tempo de agir, agir o mais precocemente possível. Saibam que as preocupações não desaparecem quando os filhos estão adultos, quando o caçula já tem 28 anos, porém diminuem com a formação do caráter e maturidade deles.

Entendo que enquanto somos os responsáveis, respondemos pelos atos de nossos filhos, devemos impor regras, disciplina, liberdade com limites. Precisamos agir, mas sei que educar e impor limites não é uma tarefa fácil quando se sai de casa para trabalhar logo que o dia amanhece e retornar quando já escureceu.

Nossas preocupações em relação às drogas, e até o fato de extrapolarmos, são justificáveis estatisticamente. Vou citar apenas um dado: em 2017 o mundo registrou 585 mil mortes vinculadas ao consumo de drogas, 135 mil a mais que no ano anterior, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).



Alecy Pereira Alves é jornalista e acadêmica de Serviço Social



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