Segunda feira, 18 de novembro de 2019 Edição nº 15247 25/06/2019  










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Desastre de Chernobyl inspirou Dark, que chega à segunda temporada

Criadores explicam como a maior tragédia nuclear da História inspiraram a série da Netflix, que na nova etapa tem viagens no tempo abrangendo dos anos 1920 até 2053

FABIANO RISTOW
Especial para o DIÁRIO

Crianças desaparecidas, viagens no tempo, timelines que se entrelaçam, temas que vão da metafísica à espiritualidade, árvores genealógicas complicadas... Junte esses elementos e você terá a fórmula do sucesso. Pelo menos foi assim com “Dark”, primeira série alemã da Netflix cuja segunda temporada estreia hoje após quase dois anos de espera.

Em vez de afastar espectadores, a complexidade e o clima (muito) sombrio da trama criada por Baran bo Odar e Jantje Friese tornaram a atração um fenômeno global. A empresa não divulga dados de audiência, mas já revelou que “Dark” é uma

das séries de língua não inglesa mais vistas da plataforma — 90% de seu público reside fora da Alemanha, sendo o Brasil um dos principais mercados.

“No começo, foi como lançar um álbum de estreia: se ninguém gostasse, danese e vida que segue. Só que todo mundo gostou, e a pressão foi tanta que, para ser sincero, tivemos até bloqueio criativo”, admite Baran bo Odar, diretor de todos os episódios. — De repente os fãs tinham um monte de teorias e expectativas, e isso nos inspirou a ter ideias.

Projetada para ter três partes (ou “ciclos”, como chamam os produtores), “Dark” segue na missão de explorar o mistério que aflige os moradores da pequena cidade fictícia de Winden, onde o desaparecimento de crianças expõe os relacionamentos e segredos entre quatro famílias proeminentes.

Na raiz de tudo está um buraco de minhoca localizado sob uma usina nuclear que paira ameaçadora sobre a cidade. O portal permite o deslocamento de pessoas pelo tempo e pode explicar o sumiço de alguns moradores — mas também complica a vida do espectador. Nas redes sociais, é comum ver fãs compartilhando anotações e árvores genealógicas improvisadas em cadernos para não se perder no intricado vaivém temporal.

É que a história de “Dark” se desenrola por pelo menos três décadas, cada uma povoada pelos mesmos personagens em idades diferentes — e por seus respectivos ancestrais ou descendentes. Veja só: o menino Mikkel Nielsen, irmão da estudante Martha Nielsen, sai de 2019, perde-se em 1986, é adotado pela enfermeira Ines Kahnwald, cresce, casa-se com Hannah Kahnwald, vira pai de Jonas Kahnwald, que namora... Martha Nielsen, sua tia. É um relacionamento acidentalmente incestuoso causado por um paradoxo temporal, e esse é apenas um dos muitos dramas.

Até os showrunners precisam de ajuda para ligar os pontos. Eles afirmam que a parede do escritório é coberta por fotos e anotações que os auxiliam a escrever os roteiros. Os novos episódios não aliviam: nos quatro (de oito) liberados para a imprensa, há ainda mais linhas temporais, englobando uma saga que vai dos anos 1920 até 2053.

“Baran bo Odar é centralizador, dirige todos os episódios — afirma a cocriadora Jantje Friese. — No caso de “Dark”, essa é uma qualidade, porque é uma série tão complexa e com tantos detalhes que é necessária uma mesma pessoa no comando para não deixar passar nenhum furo”.

RUÍNAS INFECTADAS

A segunda temporada começa com o jovem Jonas (Louis Hofmann) preso em 2053, quando um aparente acidente nuclear deixou o mundo em ruínas. Enquanto isso, personagens conhecidos como “viajantes” se transportam entre passado, presente e futuro a fim de evitar o tal “apocalipse”, como chamam. Um deles é o próprio Jonas em versão adulta (Andreas Pietschmann), que veio do futuro cheio de sabedoria e frases filosóficas.

Jonas (o jovem), sem entender muita coisa, percorre áreas abandonadas e infectadas que lembram as ruínas de Chernobyl. Não é coincidência. O maior desastre nuclear da História, recentemente redescoberto na ficção por causa da minissérie da HBO, influenciou o tom de “Dark”, revelam os produtores.

“A gente entende por que muita gente usa o adjetivo “angustiante” para definir a atmosfera de Winden — diz Jantje Friese. — Éramos crianças quando ocorreu o acidente em Chernobyl, e o medo pairava no ar. Havia algo errado na Alemanha, sem contar que era um país ainda dividido. Carregávamos a culpa e vergonha da Segunda Guerra. São sentimentos que nos pertencem e se expressam artisticamente em “Dark””.

Como se estivesse numa sessão de terapia, Baran bo Odar conclui: “o relógio começa a contar no dia em que você nasce. Depois, você morre. O tempo é importante para todos, especialmente para nós, alemães. Somos um povo melancólico por coisas que ocorreram no passado. Existe arrependimentos e o desejo impossível de ter feito as coisas de forma diferente. Então criamos uma história em que é possível mudar o passado”.



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